As contas da Federação Portuguesa de Remo
A próxima Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Remo (FPR) realiza se amanhã e um dos pontos mais importantes é a discussão do Relatório de Contas relativo a 2008. O Laststroke teve acesso ao relatório e publica uma analise dos números apresentados, já contestados e interrogados por alguns.
1 – Evolução dos resultados (sempre negativos). Geraram-se quase 400 mil euros de resultados negativos em 4 anos (mais precisamente 394.203 euros).Este valor corresponde ao que a Direcção diz ter investido. Na verdade aconteceu foi o gasto de 400 mil euros porque se os tivesse investido em fins tangíveis, estariam relevados no Balanço. Mas mesmo admitindo que tais investimentos resultariam em benefícios não tangíveis (resultados desportivos, por exemplo), que resultados são? É que os resultados do 2XLM não resultaram de “investimento” da FPR, como sabemos!
2 – A FPR debate-se Capitais Próprios negativos de 394.202 euros. Significa que a FPR está insolvente. Este valor corresponde, ao valor acumulado dos resultados de 2005 a 2008.
3 – E o que significa isto? Que o Rácio de Solvabilidade e o Rácio de autonomia financeira evoluiram cada vez mais negativamente. O Rácio de Solvabilidade é um rácio financeiro que indica a proporção relativa dos activos da empresa financiados por capitais próprios versus financiados por capitais alheios. O Rácio de autonomia financeira é um rácio financeiro que mede a solvabilidade da empresa através da determinação da proporção dos activos que são financiados com capital próprio. Quanto mais elevados este
rácios, maior a estabilidade financeira da empresa. Quanto mais baixos, maior a sua vulnerabilidade.
4 – A conta de Terceiros. Trata-se do saldo entre o que devem à FPR e aquilo que ela deve. Como se vê sempre crescente, culminando numa dívida líquida de quase 247.000 euros em 2008.
EVOLUÇÃO DE PRATICANTES:
Assinala-se, desde logo, um erro nos valores. Em 2008 são 1633 e 1663 (variação de 28,3% e não de 29,6%, nos 4 anos). A assinalar ainda o facto de no RC se agregarem os escalões jovens, dando a aparência de um grande crescimento porque juntos apresentam o maior número. Mas não é, de facto assim. Trata-se de uma forma de apresentação de números que cria uma sensação errada.
Efectivamente, o maior crescimento deu-se no escalão de veteranos (+229 -96,6%). Este escalão contribui em 63% para o crescimento global. Portanto,mais que todos os outros juntos. Por seu lado, todos juntos, os escalões de infantis, iniciados e juvenis, cresceram 16,2% (84). Aliás, todos os escalões que não os veteranos cresceram, em média, 7% + 26 (contra 96,6% +
229 dos veteranos).
É louvável o crescimento dos veteranos. Porém há, pelo menos dois factores a considerar:
(1) Não se pode pretender cimentar o crescimento da modalidade baseando o crescimento do seu efectivo humano no
topo da pirâmide. Importa sim alargar abase dessa pirâmide. Até porque entre os escalões ditos “normais” e os veteranos existe um “fosso” que é um verdadeiro óbice ao desenvolvimento sustentado da modalidade, uma vez que há aí uma quebra de continuidade.
Este cerscimento de veteranos resultou da política de “atirar dinheiro” para motivar ao regresso de veteranos. A FPR passou a integrar os resultados dos veteranos no Ranking remunerando-os. Os clubes, naturalmente, atendendo a que os veteranos são “baratos” de manter (pagam mensalidades normalmente mais elevadas, são autónomos e experientes, ajudam e providenciam normalmente o seu transporte alimentação quando da participação em CN’s) investiram, naturalmente neste escalão, desinvestindo
nos outros, nomeadamente nos jovens, mas também nos juniores que já é um escalão de grandes “perdas”, entre outros pela entrada nas universidades.
De resto alguns dos veteranos (os mais novos) até fazem os CN’s como seniores.
Mas será este o melhor caminho?
Sobretudo na redução das performances e no desvio dos meios dos clubes. De facto os veteranos, até pela sua condição que não só a idade, não treinam tanto. É provavelmente por isso que nos últimos anos alguns clubes se dedicam quase exclusivamente a este escalão protagonizando participações em CN’s. Até já se vêem atletas em CN’s de seniores que para além de não estarem fisicamente preparados, mal sabem remar, porque se trata de remadores de “remo de lazer”.
Este aparente benefício no curto prazo pode ter resultados negativos para o desenvolvimento da modalidade no médio e longo prazos
porque, com o tempo, há um estreitamento relativo da base da pirâmide.
Ficheiros de Analise (pdf):
Analise-contas-fpr-evolucao-de-praticantes
Analise contas fpr orcamentado-vs-realizado
analise-contas-fpr-subsidios-e-patrocinios
analise-contas-fpr-apoio-a-clubes
Qual a tua opinião do Relatorio Contas 2008 da FPR?
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As contas da FPR e a sua evolução devem preocupar todos ospraticantes da modalidade. Se não se puser termo imediato a este descalabro financeiro, num futuro muito próximo ficará comprometida qualquer desenvolvimento e evolução da modalidade.
As contas da FPR e a sua evolução devem preocupar todos os praticantes e amantes da modalidade. Se não se puser um termo imediato a este descalabro financeiro, num futuro muito próximo ficará comprometido qualquer desenvolvimento e evolução da modalidade. Quanto à evolução do número de praticantes de Remo, pensemos na seguinte parábola: -Imaginemos todos que está em venda um lote de terreno, com 4 lados (como a maioria dos lotes), onde se pode construír um prédio com vários pisos. De 3 dos lados do referido lote tem de se contruír numa prumada, do outro lado é facultativo. É então que aparece um construtor ganancioso, compra o terreno com a perspectiva de que não estando obrigado à prumada, pode aumentar a área por piso e no final vai ter mais metros quadrados construídos, logo irá obter maiores lucros. O pensamento nos lucros vai cegá-lo de tal forma que, à medida que o prédio vai crescendo em altura, ele vai aumentando desmezuradamente o espaço útil por piso, mas só para o tal lado em que não está obrigado à prumada. Quanto mais o edifício cresce, mais ele aumenta o espaço por piso. Ora não será preciso dizer qual será o resultado final que acontece a tal construção, porque as leis da gravidade tem regras e vão cumpri-las. Pois bem, no remo, os pisos são os escalões e nós estamos a ver o número de praticantes a aumentar, mas os escalões de baixo mantêm a mesma áre, é só o piso de cima que cresce exponencialmente e, lembremo-nos, está a crescer para um dos lados. Não podemos continuar a permitir que um déspota dê cabo deste edifício. Temos de impôr regras para que a FPR continue a cumprir o fim para que foi criada. Quanto mais tempo passa mais o prédio tomba e muito mais dificil vai ser reerguê-lo.
Parece-me que tudo isto é muito exagerado.
Em primeiro lugar penso que a apresentação dos dados feita pelo autor desta “notícia” é claramente tendenciosa e intencionalmente enganadora! 300 000 euros de dívidas a terceiros não é dinheiro. senão vejamos.. Uma pessoa que compra uma casa de 150 000 euros e que peça um empréstimo no valor de 100 000 euros vai apresentar um valor de dívidas a terceiros de 100 000 euros. O que não que dizer que a pessoa esteja falida, só quer dizer que vai ter muitas prestações para pagar o investimento feito. Como é do conhecimento geral, a federação portuguesa de remo adquiriu durante este mandato, muito material, sendo que algum dinheiro foi bem gasto e outro mal gasto, mas de qualquer das formas foi gasto e foram pedidos empréstimos, logo as dividas a terceiros cresceram estupidamente(embora tenham diminuído no último ano por algumas prestações terem sido pagas) por outro lado pode-se criticar o fraco aumento dos ativos, mas como é do conhecimento geral, as carripanas mercedes são leasings, pelo que embora a federação tenha de as pagar, elas só serão da FPR no final do contrato e se for pago o valor residual, portando são bens que não podem ser contabilizados nos ativos. Posto isto, deve ser também de notar que os subsídios do idp referentes a 2008 não constam nesta apresentações pelo que a FPR vai ter um saldo bastante mais positivo que aquilo que se pensa para o ano passado.
Em segundo lugar, e embora até perceba as críticas referentes às contas(ignorância) não consigo compreender as criticas aos DADOS do aumento de praticantes. A FPR estupidamente abarbata-se aos números do aumento mas na verdade a FPR não tem absolutamente nada a ver com isso. Trata-se de um problema/proveito dos clubes, e se não há mais jovens a praticar é porque os clubes não têm condições estruturais para ter jovens. Quase todos os clubes estão a cair de podres e isso, lamento dizer não é culpa da FPR, é culpa dos próprios clubes. Não faz sentido haver tantos empachers e filipis numa porra de um país onde só dois tipos têm unhas para eles. Barcos mais baratos, dinheiro de sobra para instalações, mais jovens a praticar. Como muito bem foi dito na “noticia” o mal do remo está na sua base, assim como o do dirigismo: os dirigentes dos clubes! Pessoas que estão mais interessadas em ter tamancos e energumenos a remar nos nacionais em empachers e filipis do que ter os respectivos clubes cheios de atletas jovens donde poderão um dia sair de entre cada 500 ou 1000, um atleta que possa levar o nome de Portugal e do remo onde deveria estar. O Rascão Marques é uma besta, disso ninguém tem dúvidas, mas muito sinceramente, enquanto os clubes não tiverem mudanças de fundo, esta besta não é nem mais, nem menos que aquilo que merecemos.
Hesitei em responder ao comentário do Sr. César. É que, francamente, já vou estando farto destas guerrinhas. Acho que já se gastaram demasiadas energias com pessoas que, francamente, pelas suas práticas, não o merecem.
Porém, como me parece revelar algumas confusões, acabo por o fazer:
(1) O que realmente importa não é o que deve mas sim o saldo entre o que deve e o que lhe devem (o saldo da conta de terceiros) que, naturalmente, é mais baixo (-231.665 euros). Quanto a estas coisas de dever e pagar, o que realmente importa, com quem quer que seja, é se haverá, ou não, capacidade futura para pagar o que se deve. E olhe que os tempos não estão muito famosos. Já ouviu falar em sobre endividamento?
(2) Mas o que realmente é preocupante é que tivemos 4 anos de sucessivos resultados negativos que, somados (porque podem e DEVEM ser somados), chegam aos 394.000 euros, mais coisa menos coisa: o valor NEGATIVO dos Capitais Próprios da FPR. Ou seja, quer se queira quer não, a FPR está insolvente. E pior que isso é que tem défices que já se podem considerar estruturais (ao contrário do que foi sendo afirmado ao longo do mandato). Se dúvidas existem, dê uma olhada pelos rácios de solvabilidade e de autonomia financeira da FPR nos últimos quatro anos (o seu significado está junto para se possa ajuizar correctamente). Algo que se omitiu nas longas e até enfadonhas explicações a que assistimos na AG do último sábado.
Acredite que não me movem macabras intenções ou secretas vontades para que a FPR esteja como está. Lamento-o profundamente. Porém enterrar a cabeça na areia não é maneira de se resolverem as coisas. E muito menos chutar a bola para a frente. Fiquemos atentos ao que aí vem. Depois, falaremos.
(3) O número de atletas. Porque acha que os clubes, de repente, começaram a dar preferência a praticantes veteranos? Terá sido um mero acaso ou coincidência? Claro que não! Foi porque a FPR, desde há 4 anos, incluiu os veteranos no Ranking e passou a subsidiar a sua participação nos campeonatos nacionais. Naturalmente os clubes fizeram aquilo que racionalmente havia a fazer perante tal medida de “incentivo” e passaram a dar importância a ter praticantes veteranos em detrimento (por natural limitação de capacidade) de outros escalões. E não só jovens. Porque os veteranos também fazem os nacionais de seniores. Não é verdade? E com a proliferação de campeonatos, os veteranos até dão jeito porque normalmente não constituem grande despesa já que suportam, senão todos, grande parte dos custos de deslocação, alimentação e alojamento, para além de pagarem, em regra, mensalidades maiores. Esta foi a forma mais expedita que esta Direcção encontrou para aumentar o número de praticantes. É uma entre muitas outras possíveis. Só que para mim, é a medida fácil e expedita, mas constrangedora de desenvolvimento da modalidade. Dá uma aparente sensação de desenvolvimento para “inglês ver” ou será para “outros verem”? É o velho facilitismo Luso! Não há nada a fazer. Muita “chico espertice” é o que é. A longo prazo hipoteca o desenvolvimento da própria modalidade. Se há dúvidas que se olhe para o que as outras modalidades fazem.
Quer ter uma percepção do que realmente é fazer por promover, divulgar e incrementar uma modalidade? Então atente no seguinte:A Federação Portuguesa de Basquetebol e as Associações Regionais, promoveram de 1 a 5 deste mês, pelo terceiro ano consecutivo, em Portimão, a Festa do Basquetebol – Campeonatos Nacionais Inter-Associações de Basquetebol. Participaram as selecções de 18 Associações, com 870 atletas dos 14 aos 16 anos (iniciados e cadetes), de ambos os sexos, a que se somaram, delegados, árbitros e oficiais de mesa, totalizando cerca de 1400 pessoas. Uma grande festa! Digo-lho eu que estive presente num dos dias porque a minha filha participou enquanto atleta da AB de Setúbal. Um espectáculo! Digo-lhe eu. Dezenas de jogos a decorrerem em simultâneo com transmissão de resumos de 10 minutos diários na SportTV e com transmissão, em DIRECTO, da final de cadetes masculinos no domingo. E tudo como uma organização impecável!
No nosso Remo, ostracizam-se os clubes que não concordam com as práticas federativas. Ignoram-se as associações regionais, culpam-se os atletas. Enfim. Um rol de coisas que até dói a alma!
Deve ser por isso que se acha que o que há fazer no remo tem que ser feito sem as pessoas do remo. Já agora pode ser sem os clubes de remo, sem as associações de remo, sem nada e sem ninguém.
É algo “sui generis”, querer desenvolver o remo sem os agentes do Remo.
Coisas de ditadores! E quem quiser que enfie a carapuça!
Cesar, acho que tens boa razao em muito do que dizes. Mas serao esses 300mil todos em emprestimos? E sera que a FPR tem capacidade para tanto dinheiro em emprestimo/divida?
Por outro lado, a questao dos veteranos, a meu ver, é complicada de avaliar. Se por um lado queremos que a FPR e clubes apostem nos mais novos, para aumentar a base da piramide, por outro lado fomentar os mais velhos (quem trabalho p. ex.) a remar é uma optima forma de dar sustento à modalidade. Vejamos:
- Maior capacidade financeira
- Sao os pais (e avos) dos nossos jovens, e estando a remar concerteza podem leva los para o remo (se considerarem haver condicoes!!!)
- Quantos serao potenciais investidores e patrocinadores?
- Quem poderao conhecer que possa tornar-se num patrocinador?
De qualquer maneira ha mais pessoas a remar, so nao se pode cair no erro de ver a quantidade e detrimento da qualidade.
Quanto ao dinheiro gasto em barcos, tambem concordo que nao sejam precisos empacher e filipis, quando nao existe uma boa frota de iniciacao e treino p. ex. Treino no clube de remo de Twickenham e o me impressionou foi terem dezenas de barcos e apenas 1 empacher (8+). Quase todos os barcos sao Yanouseks em boa qualidade e que me parecem competitivos. Quando se tem nacionais onde as distancias entre equipas sao de muitos segundos, sera um empacher que nos fara ganhar!? E quantos barcos poderiamos comprar com o dinheiro de um empacher!?
Mas isso tambem sao questoes que os clubes devem reflectir e saber as suas prioridades.
Ha muitos paus de dois bicos no nosso remo… mas ter dividas de 300m€ em emprestimos e leasings nao me convence! Pelo menos sem se verem melhorias nas areas criticas.