Junho 12, 2008
Campeonato Nacional de Verão
Continuo a achar que este é de facto o principal Campeonato da época e que os restantes só servem para enfeitar. Embora as considere provas excelentes, não deveriam atribuir títulos nacionais. Mas isso são outras águas.
Mais uma vez, fomos para a nossa tão desejada pista de remo, que para minha profunda tristeza, não está ao nível do que nós esperaríamos.
E mais uma vez, o desrespeito pelas mais simples regras, como o estacionamento de viaturas ou a pesagem a horas, é gritante. Mas depois, todos falam da falta de qualidade da competição em Portugal.
A qualidade e o brio devem estar associados a todas as nossas atitudes, não só na água mas no resto. Sejamos primeiro e acima de tudo exigentes com a nossa postura individual, para que a nossa cultura desportiva colectiva também seja mais rica.
Orgulho-me de ter sido campeão nacional pelo meu clube, e tive o especial prazer de o expressar com os meus amigos, andando de medalha ao peito a festejar pela minha cidade.
Fala-se da falta de competitividade. Comenta-se que antigamente não era assim, que as diferenças não eram tantas e que o nível nunca foi tão fraco. Não concordo. Sempre existiram diferenças gritantes entre equipas.
No entanto batem-se tempos na pista, baixam-se dos 6 minutos aos 2km no 8+ e não apenas uma equipa, mas 3. Temos algumas eliminatórias onde se espera pelos tempos, para se saber quem são os finalistas e verificam-se que as diferenças nem são muitas. Os ligeiros, em algumas provas de domingo, resumem-se a tentar dar luta, sem no entanto cheirar nada. E nós continuamos a dizer que o nível é fraco.
Para mim não me incomoda que venham muitos barcos, uns mais fortes outros menos. No atletismo 80% dos corredores das provas de estrada, incluindo nacionais, vão apenas para correr. Por isso não me incomoda que o remo pudesse caminhar para esse cenário.
Incomoda-me mais é retirarem o valor a muitos que ganharam e que sabem o que lhes custou no corpo. Falo de muitos bons remadores, que têm orgulho e brio no que fazem e que não gostam muito que lhes digam que ganharam facilmente. Para mim foi pelo esforço deles que se simplificaram as coisas.
Perguntem aos atletas do 8 + do Caminhense se foi fácil, ou ao 8+ PL dos Galitos. Ou ao fluvial no 4- PL e 2-. Aliás, perguntem aos que ficaram em 2º e 3.º em muitas provas se foi fácil perder. Perguntem ao ginásio se não deram o litro no 4 – PL e se não treinaram a época toda. Ou ao CNV.
Muitas vitórias saem do corpo de atletas que treinaram bem a época toda e isso não é valorizado.
A insuficiência de alguns em lá chegar é que é mau. O que não há é uma prática alargada de competição. O remo passou a ser encarado como actividade física, sem competição. Chega para ganhar, porque esforçar mais?!
Nós não estamos a conseguir passar a mensagem que é preciso treinar mais e melhor, para aumentar a competição interna e que devemos partilhar conhecimentos.
Tive a oportunidade de expressar este sentimento, em local adequado (assembleia da FPR). O baixo nível competitivo em Portugal, não pode ser apenas da responsabilidade dos clubes e principalmente dos atletas.
Os atletas adaptam o seu nível de treino à realidade existente no país e ao ”facilitismo” criado para se ser Campeão Nacional. Não peçam, por exemplo às senhoras para treinarem mais, se volume de treino que têm actualmente é suficiente.
Adaptem é, de uma vez por todas, o calendário nacional à nossa realidade. Eliminem campeonatos nacionais ou mudem-lhes os nomes.
Temos que mostrar que vale a pena treinar remo. Que é um desporto lindo, que precisa de dedicação e que vale a pena treinar.
Um abraço
