Carta aberta ao Dr. João Oliveira
Exmo. Senhor,
Tal como V.Exa., também eu estive no passado dia 21 de Fevereiro na Assembleia Figueirense, aguardando o resultado do escrutínio eleitoral para os órgãos sociais da Federação Portuguesa de Remo, tendo em vista o ciclo olímpico agora iniciado.
Tal como V.Exa., também eu integrei uma candidatura legitimamente apresentada, tendo em vista assumir responsabilidades directivas na FPR para o próximo mandato.
Tal como V.Exa., também eu reuni as condições legalmente exigidas para me poder candidatar, tendo o meu termo de aceitação e restante documentação pessoal sido devidamente apreciados e aceites pela Comissão Eleitoral.
Tal como V.Exa., também eu subscrevi um programa de acção e um projecto eleitoral, integrado numa candidatura que foi identificada como Lista A e que publicamente se apresentou à massa associativa da FPR, para com ela analisar e trocar ideias sobre aquelas propostas e sobre a vida futura federativa, para finalmente nos sujeitarmos ao sufrágio associativo.
Tal como V.Exa. provavelmente o fez, também eu tive o cuidado de estudar atentamente os estatutos e demais regulamentos da FPR para, em consciência, me poder candidatar a um cargo directivo.
Tal como V.Exa., segundo suponho, ao candidatar-me a um órgão directivo da FPR não me movem quaisquer outros interesses que não sejam o gosto pelo desporto e pelo movimento associativo e a vontade de contribuir cívica e pessoalmente com os meus conhecimentos e experiência, para a promoção, desenvolvimento e gestão de uma Federação pela qual tenho especial apreço.
O acto de impugnar um processo eleitoral é um direito que assiste a todos aqueles que se submetem a um sufrágio legalmente conduzido e organizado e com o qual se pretende expressar o desacordo pelos resultados obtidos, sendo que esse desacordo se deverá basear em dados e factos que indiciem ilegalidades processuais, administrativas ou estatutárias.
Assim, Sr. Dr. João Oliveira, não fiquei surpreendido quando tomei conhecimento de que V. Exa. tinha apresentado ao Presidente da Comissão Eleitoral da FPR uma reclamação sobre o acto eleitoral de 21 de Fevereiro e respectivo pedido de impugnação. Como atrás refiro usou V. Exa. do direito que legal e estatutariamente lhe é devido.
Mas, Sr. Dr. João Oliveira, quando tomei conhecimento da carta aberta dirigida a “TODOS OS CLUBES E ASSOCIAÇÕES DO REMO PORTUGUÊS” não pude ficar indiferente à forma despropositada, descontextualizada, deselegante e ofensiva, direi mesmo, grosseira, como a mesma está redigida e ao seu teor.
Tem V. Exa. todo o direito de reclamar e de impugnar. É ponto assente e não se fala mais nisso. Serão os órgãos competentes a apreciar as razões evocadas e a dar ou não provimento ao pedido.
Não me compete a mim advogar a defesa da anterior Direcção, com quem aliás mantive excelentes relações institucionais durante o tempo em que também eu assumi responsabilidades directivas numa outra federação. Fico, é verdade, impressionado e chocado com a terminologia usada por V. Ex.ª quando, para sustentar críticas e reparos à anterior gestão, em vez de utilizar dados objectivos, se limita a aplicar um discurso de tão baixo nível que mais parece a verborreia de um típico condutor de “tipóias”, que não a de um dirigente desportivo, a quem se reclama elevação, postura e fair-play.
Mas há mais, Sr. Dr. João Oliveira. V. Ex.ª, não se limita a atacar, insultar e denegrir a anterior Direcção, permite-se mesmo de forma incompreensível a fazer juízos de valor e a ofender todos os elementos que integram a Lista A e na qual eu me incluo.
Quando neste seu comunicado refere “…a chamada “continuidade” teve muita dificuldade em fabricar os apoios que julgava suficientes para permanecer no lugar…”, está V. Ex.ª a atingir directamente todos que de boa fé, por amor à causa e por espírito de bem servir o desporto e o Remo, se uniram numa candidatura subordinada ao lema “Mais qualidade na continuidade”.
Mas como se não bastasse todo este desvario, quem sabe se não provocado por uma síndrome de mau perder, o seu último comunicado (Carta Aberta ao Presidente em exercício da Federação Portuguesa de Remo), atinge as raias do intolerável quanto a ofensas pessoais e tentativa de denegrir a imagem e ferir a dignidade de quem pública, aberta e entusiasticamente tem dado a cara pelo Remo.
Em sede própria, a massa associativa, deverá julgar a gestão efectuada, o que aliás aconteceu quando da aprovação do Relatório de Actividades e Contas na última Assembleia-geral.
Não fiz parte da última Direcção, mas ao aceitar integrar uma equipa liderada por Rascão Marques, é porque reconheço nele qualidades cívicas, desportivas e directivas nas quais me revejo e me sinto comprometido. Não posso pois tolerar as calúnias, as difamações e as ofensas, que de forma tão baixa e repugnante lhe são dirigidas.
Não sei se V. Ex.ª a mim me conhece. Eu não o conheço si.
Não posso pois compreender, nem aceitar, nem admitir, ser catalogado por V. Ex.ª como o faz neste seu último comunicado “…a si e aos curiosos que formam o seu grupo…”. Esta forma deselegante de se dirigir, enquanto membro de uma candidatura, aos membros de outra candidatura oponente, é no mínimo reveladora da falta de princípios éticos, da falta de espírito desportivo e associativo e mesmo, da falta de princípios democráticos que porventura V. Ex.ª apregoa, mas não pratica.
Neste mundo do associativismo desportivo, tal como em tudo na vida, aliás, é necessário sabermos conviver com a diferença de opinião, respeitando todos aqueles que de forma clara e frontal se apresentam para connosco disputar o eleitorado, sujeitando-se ao sufrágio democrático. Tudo isto sem no entanto nos demitirmos, como é óbvio, do legítimo direito de reclamar, de contestar e mesmo de apontar irregularidades que por ventura se verifiquem. Mas, senhor Dr. João Oliveira tudo isso está há muito previsto e existem os canais próprios para o fazer, sem recorrer a métodos e a processos que só deslustram quem os faz e os pratica. Esses sim, mancham o bom nome e a imagem de uma modalidade que, acredito, todos muito estimamos e apreciamos. Trazer para o remo métodos que assentam a sua eficácia na ofensa pessoal, no boicote às actividades e na ameaça de violência física, fazem-me lembrar, senhor Dr. João Oliveira, os velhos tempos de instabilidade social, característicos do PREC, de tão triste memória e que eu sempre repudiei.
Vamos todos fazer um esforço para que o remo e a Federação Portuguesa de Remo saiam prestigiados e dignificados.
Cascais, 13 de Março de 2009
António Neves, TCor
Para quem tem uma vida feita num sistema e regime nada democrático como o é o regime militar de onde V. Exª provém, fazer alusão à democraticidade na série de falcatruas e atropelos pouco claros que mancharam este acto eleitoral é merecedor de alguma meditação. Embora não o conheça, a primeira impressão que fiquei de si foi de uma pessoa sensata, voluntariosa e equilibrada no discurso. Se calhar enganei-me.
Melhores cumprimentos
Naturalmente, tendo eu vivido fortemente ligado ao remo as últimas duas dezenas de anos, não posso concordar com o seu discurso, no entanto, e no intuito de não ferir a sua fina sensibilidade, aceito e respeito a sua opinião. Ocorre-me unicamente uma pergunta: – Onde é que o senhor esteve até ao dia 21FEV09? Acompanhou as cinco semanas anteriores a essa data? Procurou conhecer as acções dos últimos quatro anos da direcção cessante? Lembre-se que são essas acções que nos foram propostas para a continuidade. Gostaria para finalizar de lhe dar os parabens pela franqueza, honestidade e coragem com que assumiu esta carta, apesar de ser peça única na defesa da sua dama. Acredite que, depois de o ler, fiquei com a certeza que o Senhor está no lado errado da “barricada”.
Só uma pequena correcção: não foi o Relatório de Actividades e Contas que foi aprovado na última Assembleia-geral. Foi o Plano e Orçamento. Coisa bem diferente.
Quanto ao Relatório de Actividades e Contas de 2008, estamos todos ansiosos para o discutir. E será já antes do fim do mês.
Quanto ao que diz e como o diz, estou de acordo com o Sr. Jorge Nascimento. O Senhor está no lado errado da “barricada”. Manifestamente!
Atitudes como a intimidação, a ameaça, o caciquismo e a GNR chamada por tudo por nada, recordam-lhe que tempos, Sr. TenCor?
Como complemento ao comentário que já produzi sobre este assunto, gostaria de acrescentar que sendo a carta dirigida ao presidente em exercicio da FPR, porque será que é uma figura de segunda linha da candidatura de RM que teve a coragem de responder?
Será mais uma manifestação de cobardia ou de falta de moral do ainda presidente da FPR?
Ao administrador deste blog. Não sou frequentador de blogues e só na semana passada, visitei o Laststroke e tomei conhecimento dos comentários feitos à minha carta aberta e identificada, ao Sr. Dr. João Oliveira. Não sei se é habitual publicarem textos anónimos ou assinados sob alcunhas. Essa é uma forma pouco elegante, para não usar outro termo, do autor se esconder e não dar a cara pelo que escreve. Não posso pois contestar, quanto mais não seja numa perspectiva pedagógica o carácter insultuoso do comentário subscrito por “Super”.
A Jorge Nascimento. Como já o referi, não represento a anterior Direcção da FPR. Integro uma candidatura que legitimamente se candidata a um mandato e como tal, repudio todas as calúnias que sejam lançadas sobre esta candidatura, pois que assim atingem todos os que a integram. Para sua informação, nas últimas 5 semanas, juntamente com outros membros da candidatura, percorri o país, do Minho ao Algarve, visitando todos os clubes e com eles dialogando e apresentando aberta e frontalmente o nosso Programa de Acção e as nossas ideias para o futuro. Tivemos quem declaradamente concordasse connosco, quem declaradamente não nos apoiasse e quem aguardasse para ouvir a outra parte para depois fazer juízos de valor. É assim que se faz uma campanha eleitoral. A única nota negativa em todas essas 5 semanas, foi quando num desses contactos, a um clube da margem norte do Douro, um dos seus responsáveis, ultrapassou as marcas do civismo e da educação e se nos dirigiu em termos ofensivos e grosseiros. Mas isso, estou em crer, são situações com que, todos os que estamos no associativismo, temos que nos confrontar e que se prendem com aquela velha ideia de que “o chá em pequenino, faz muita falta”.
A Luís Gonçalves. Tem toda a razão. O documento aprovado na AG foi o Plano de Actividades e Orçamento para 2009. As minhas desculpas pelo lapso.
Bom dia Antonio Neves,
A sua carta aberta chegou-nos atraves do Sr. Manuel Ribeiro, que a enviou para o e-mail do site. Como todos os artigos que nos chegam a este e-mail, nos publicamos. Se o desejar poderemos retirar este artigo. Quanto ao “Super”, penso que a grande maioria o conhece e o seu site/blog esta identificado. Nao é uma alcunha qualquer ou anónimo, porque maioria das pessoas do remo em Portugal sabe de quem se trata. Não publicamos comentários anónimos insultuosos. Todos os comentadores são primeiro aprovados e terão de identificar um email.
Qualquer dúvida ou questão, não hesite em contactar me.
Cumprimentos,
Estevão Pape
A Antonio Neves
Quero agradecer-lhe o facto de ter respondido ao comentário que coloquei neste artigo. Sem o conhecer, mas atendendo ao facto de tambem ser militar, acredito que a injustiça é algo que lhe provoca indignação e repúdio. Ambos juramos defender as leis da républica e neste ponto, eu volto a perguntar-lhe, se toda a indignação gerada no periodo pós-eleitoral é baseada no cumprimento escrupoloso das leis ou nas manipulações à lei feitas pela Mesa da Assembleia Geral e Direcção da FPR? Vamos aguardar com relativa paciência o que os administradores da justiça têm a dizer. Como militar sabe muito bem que ninguem é obrigado a cumprir ordens ilegais e que o simples facto de as cumprir colocam-no ao nivel do infractor. Nova pergunta: O que acha da legalidade das acções do actual PR/FPR nos últimos “Campeonatos Nacionais”? Estou certo que neste momento as nossas opiniões coincidem.
A António Neves
Tem razão caro Senhor.
“O chá, em pequenino, faz muita falta”.
Mas pergunto: o que será mais “falta de chá”? A manifestação da indignação e da revolta, ainda que exaltada e catalisada pela emoção e pelo sentimento em relação àquilo que realmente amamos, perante toda a espécie de atropelos e desconsiderações; ou a manobra fria e calculista da manipulação das normas e das leis, ou até o seu pura e simples atropelo, com o intuito de obter vantagem em relação aos adversários?
Para além de “falta de chá”, caro Senhor, é falta de carácter e, no mínimo, de consideração por pessoas e instituições que muito deram e dão à modalidade.
E note que a adjectivação é propositada. Porque há momentos em que temos que dar nomes às coisas.
Nada me demove de uma boa competição. Não gosto de perder. Mas aceito a derrota.
Quando se compete com lealdade.
E, no caso, lamento ter que o reafirmar, não foi isso que sucedeu e continua a não suceder. O rol é longo e nem vale a pena fazê-lo agora aqui. A seu tempo será feito.
Fiquemos, portanto, paciente e calmamente à espera. Depois, se verá. Depois, cada um responderá pelo que fez ao Remo.
De bem ou de mal.
Cumprimentos.
Álvaro Manuel Branco