Março 13, 2009
Entrevista com Vitor Sousa da APAR

Arbitros em Montemor
O Laststroke falou recentemente com Vitor Sousa, Presidente da Associação Portuguesa de Arbitros de Remo (APAR), onde abordou algumas das recentes polémicas como as eleições para a Federação Portuguesa de Remo e os Campeonatos Nacionais. Também falamos sobre a relação entre arbitros e outros participantes da modalidade.
Laststokre: O que levou os árbitros a fundarem a APAR?
Vitor Sousa: Há alguns anos que os árbitros vinham a ser incentivados a constituir a sua Associação. Tendo-se constituído a Associação de Treinadores e de Remadores , era uma obrigação dos árbitros criarem a sua Associação para melhor participarem na vida da Federação de Remo.
LT – Quantos árbitros existem em Portugal e quantos são sócios da APAR?
VS - Não temos dados exactos quanto ao número de árbitros, porque a Direcção da FPR apesar de solicitada para o efeito não nos forneceu, mas serão cerca de 20 a 24. Os sócios fundadores foram 12.
LT – O é que a associação se propõe a fazer para mudar o rumo do remo nacional? E o que acham que se deveria mudar?
VS - Defender a elevação da organização de Regatas e exigir as melhores condições de igualdade de oportunidades para os atletas em competição.
LT – As razões que alegam para terem cancelado os CN não se colocam em causa, mas porque é que só o fizeram agora e nunca tomaram esta atitude no passado?
VS – Porque só o podíamos fazer enquanto colectivo e isso foi possível com a constituição da APAR. Por outro lado o facto da Direcção da Federação, apesar de solicitada pela APAR em Dezembro para integrar a mesma, ter bloqueado ilegalmente a nossa admissão, incentivou a nossa tomada de posição.
LT – O que tem a dizer em relação ao passado fim-de-semana, a chamada da GNR, a ameaça aos atletas que treinaram, a presença de um único arbitro que não alinhou com a associação?
VS – Foi mais uma manobra do Sr. Presidente da Federação para evitar a todo o custo a perda de mandato.
LT – O que pretendem fazer em relação a este árbitro, era legal a sua presença nas regatas?
VS – O árbitro presente ainda não é sócio da APAR e até agora não demonstrou efectivamente vontade de se tornar sócio. A sua presença na Regata era ilegal, pois comunicou ao Conselho Jurisdicional, único órgão competente da arbitragem, que não estaria presente por impossibilidade. Contudo compareceu. A APAR nada fará, porque não lhe compete. O Conselho de Arbitragem pode, se quiser, vir a fazer algo relativamente ao sucedido. Esclareço também que a nomeação do Presidente do Júri é da exclusiva responsabilidade do Presidente do Conselho de Arbitragem e nunca do Presidente da FPR como aconteceu.
LT – O que tem a dizer sobre a atitude do presidente da federação que chamou voluntários, treinadores e outras pessoas sem formação nem conhecimento do código de regatas para arbitrar e quais as consequências que podem daí surgir?
VS – Trata-se de mais uma irregularidade grave cometida pelo Sr. Presidente.
LT – Está previsto no regulamento esta possibilidade?
VS – Não está prevista essa possibilidade.
LT – Houveram regatas, podem ser classificadas como nacional de Inverno ou necessita obrigatoriamente a presença dos árbitros para oficializar os campeonatos?
VS – De acordo com o CNR o Júri tem de ser nomeado pela Conselho de Arbitragem e o Júri tem de ser constituído por árbitros. Assim, as provas efectuadas, se as houve não podem ser classificadas como Campeonato Nacional.
LT – Que imagem pensa que os remadores têm dos árbitros? Pensaram nos atletas ao tomarem estas decisões?
VS – Como dizemos no nosso comunicado, nós pensamos sobretudo nos atletas e nos amantes do Remo quando tomamos esta atitude. Pensamos que a prazo esta atitude trará vantagens a todos.
LT – O que pensa fazer enquanto presidente da associação nas próximas regatas, vão continuar a não estarem presentes enquanto não forem reconhecidos como associação e enquanto não estiverem saldadas as dívidas da federação para com os árbitros?
VS – Neste momento é a posição que defendemos.
LT – Em termos de desenvolvimento da arbitragem em Portugal, considera que deverá haver mais e melhor formação de árbitros portugueses?
VS – A Formação é importantíssima para qualquer função e para a arbitragem ainda mais importante. A formação que a FPR tem proporcionado aos árbitros Nacionais e Regionais nos últimos anos é nula.
LT – Os remadores queixam-se muitas vezes da arbitragem das provas. Considera que existe falta de formação dos remadores nas regras de prova? E o que poderia ser feito para melhorar este aspecto e a relação atleta/arbitro?
VS – Nota-se conhecimento insuficiente das regras da modalidade um pouco por todos os intervenientes na nossa modalidade e será muito útil que atletas, treinadores e dirigentes conheçam melhor as regras. A APAR está disponível para colaborar nesse sentido.
LT – Não devia esta associação ter enviado mais cedo a sua proposta de sócio para a federação, precavendo o que se passou?
VS – A APAR envioulogo de seguida, após a sua constituição, o pedido ao Presidente da A. Geral e à Direcção. Aparentemente a Direcção reteve o pedido dirigido ao Presidente da A. Geral quase 15 dias, que devolveu á Direcção da FPR, que até hoje nada fez.
