“A esperança, está na lista de João Oliveira”

Jose Lopes Marques

Jose Lopes Marques

Nesta altura de muita controversia e decisoes importantes para o Remo Nacional, o Laststroke falou com Jose Lopes Marques, que esteve presente no recente Campeonato Nacional de Veteranos em Montemor. Para quem nao o conhece, tem duplo motivo para ler esta entrevista.

Laststroke: A sua vida tem sido sempre ligada ao desporto, quer como atleta, dirigente, comentador ou como politico. O que o fez estar afastado das lides desportivas nestes últimos anos?

Lopes Marques: - Só uma pequena correcção a esta apresentação: Político não fui ! Fui, antes, ” vizinho” dos ditos , já que trabalhei com muitos e muitos Governos . Em lugar disso, falta uma coisa de que me orgulho e não está lá: fui também técnico. De resto, o vosso “retrato” está quase completo.
Antes de mais e antes de tudo, quero frisar que a síntese que irei fazer é muito contida. Faço-a apenas pelo Remo e não por mim. Fico, até, ” nervoso” que pensem ser um exercício de vaidade. Não é ! É , antes, e tão só, uma maneira de “pôr na ordem” uns quantos aventureiros, ignorantes e atrevidos que, quando abrem a boca ou sai demagogia ou sai ridículo.
As razões porque estive ( e estou) afastado, vão perceber-se mais á frente. Já lá vamos.

LS : Esteve ligado ao remo e ao desporto em geral durante muitos anos, como foi o seu trajecto?

LM: A minha ligação e o meu curriculum no Desporto é muito completo e multifacetado. Direi, até, que se no plano das especialidade há curriculae muito melhores que o meu, no plano da globalidade, em Portugal, ainda ninguém lá chegou: Fui atleta, fui técnico, fui professor, fui dirigente, fazendo tudo isto sempre ao mais alto nível.
Embora tenha praticado, sido campeão e internacional noutras modalidades , É ao Remo onde me iniciei com 12 anos, a quem eu devo a formação da minha pessoa e o ponto de partida para um percurso que acabou por ultrapassar largamente as fronteiras da modalidade.
Será interessante, dar uma certa ordem cronológica às coisas, fazendo-o a partir do Remo: Até aos meus 27 anos fui remador, campeão nacional, capitão de Selecções Nacionais, olímpico em Skiff. Nos finais de 74, com surpresa minha, fui chamado pela Junta de Salvação Nacional para integrar a Comissão Liquidatária da Mocidade Portuguesa, donde me resultou uma fantástica experiência. Fui eu que promovi a transição e a integração no” Universo Civil” de um impressionante património, que ia de aviões a barcos, de pessoas (funcionários) a edifícios em todo o território.
No caso do Remo, saíu das minhas mãos a afectação de instalações, de material e das actividades existentes em todo o País.
Encaminhei as coisas de modo a chegarem, paulatinamente aos clubes, depois de um transição pela Direcção-Geral dos Desportos. Isso tanto para as actividades, entenda-se Escolas de Remo, como para as instalações. Por exemplo, o edifício onde ainda hoje está instalada a própria Federação, fui eu que fiz e sua afectação ao Remo.

Depois deste desempenho, fui convidado para ir para a Direcção-Geral dos Desportos.
Aí comecei como coordenador do Plano Nacional de Desenvolvimento do Remo. Levámos o Remo ao interior, multiplicamos o número de Escolas. Lembro-me de enviar para os mais inesperados e recônditos sítios de Portugal, colaboradores inesquecíveis que tive: João Oliveira, Vítor Domingos, António Amorim, Loureiro, etc, etc….
Simultaneamente, lançou-se um ambicioso projecto de cooperação internacional, trazendo a selecção Polaca para estagiar em Ferreira do Zêzere e aproveitando essa presença, par arrancar com um intenso e alargado plano de formação de quadros.

Depois, fui convidado para fundar e ser o primeiro Director do Instituto Nacional dos Desportos. De seguida, o Dr. Sá Carneiro, “contra ventos e marés ” (porque eu não era político) foi buscar -me para Director-Geral dos Desportos, lugar que mantive durante muito tempo inclusive em Governos do Dr. Mário Soares. Por inerência, era também, o Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Fomento do Desporto e Administrador do Totobola.

Segue-se uma fase diferente, muito honrosa, ensinadora e relevante. Por vontade e eleição dos meus colegas europeus (note-se que na altura, Portugal não estava na União Europeia, e não havia “aritméticas” políticas) sou eleito para o Comité Director do Desenvolvimento Desportivo do Conselho da Europa em Estrasburgo e, também, por eleição dos meus colegas, eleito Administrador do “Clearing House”, banco de dados do Conselho da Europa para as ciências do Desporto, sedeado em Bruxelas.

Curiosa e pouco conhecida, é a actividade diplomática que desenvolvi a seguir. Não sendo diplomata de carreira, fui escolhido e (ou) convidado para integrar missões diplomáticas de grande relevância e melindre, da Rússia aos Estados Unidos, da Índia ao Brasil, etc.etc. De algumas dessas missões guardo reserva, mas, por exemplo, integrei com o então Ministro dos Negócios Estrangeiros, Prof. André Gonçalves Pereira, a primeira missão e o primeiro acordo com a Índia, celebrado em condições adversas e só muitos anos após a ocupação de Goa.

Talvez (não sei…) por tudo isto, venho a ser convidado especial da ” Casa Branca” em nome do Presidente Ronald Reagan. Seguiram-se interessantes convites dentro dos Estados Unidos, Estive na fundação da U.S. Physical Fitness Academy em Indiannapolis, estive no interior da U.S-Air Force Academy em Colorado Spings e na U.S Naval Academy em Annapolis ,ou, ainda, na Universidade da Califórnia , São Francisco
Por cá, em participações e ou funções mais diversas, fui membro do Conselho Consultivo de Lisboa 94-Capital Europeia da Cultura, Fui Vice-Presidente do Sporting, fui da Comissão Instaladora da Associação de Atletas Olímpicos de Portugal, sou membro da Academia Olímpica, etc…

LS: Em relação ao remo, como começou e qual o seu ponto alto?

LM: O meu ponto alto no Remo são vários pontos altos. Por definição, um ponto alto tem sempre qualquer coisa de emocional e de objectivo alcançado.
Realço, três momentos: Quando ao fim de anos e anos de esforço entro como atleta no Estádio Olímpico . Quando, pela primeira vez sou Campeão Nacional. Quando pela primeira vez no mundo sou eu que ponho crianças cegas a remar ( e elas para acreditarem largam os remos para palpar a água do Tejo) !….Quando vi esse trabalho traduzido no estrangeiro e louvado pela UNESCO.

LS: O Congresso de Remo, presidido por si, embora pobre em apresentações, levantou algumas questões ao actual estado da modalidade.
Como comenta o seu conteúdo e a não divulgação dos seus resultados?

LM: A “história ” do Congresso do Remo, é um caso a todos os títulos lamentável. É um verdadeiro “case study” , que me deixou amargurado e desiludido .
A minha posição em relação ao Remo é de afecto e disponibilidade para ajudar com boa-fé e sem preconcebidos, se a ajuda me for pedida e se eu estiver em Portugal
O convite que me foi formulado para presidir ao Congresso foi por mim interpretado dessa maneira face à apresentação que me foi feita. Todavia, já em cima do Congresso, percebi que, afinal a realidade era bem outra.
O propósito, era, apenas e tão só, aproveitar o meu nome e direccionar as coisas para a mais estúpida e saloia manobra eleitoral. A isto adicionou-se, uma participação do Governo, totalmente ridícula, ignorante e abusiva, como se os participantes – homens do Remo e do Associativismo – fossem mendigos do governo ou atrasados mentais.
Confesso, que equacionei varias vezes a hipótese de me vir embora . Mas, entendi, que pelos homens do Remo presentes, eles não mereciam isso.
Julgo, que apesar de tudo, foi certo e prestei um serviço ao Remo.
Pode perguntar-se, como e porquê se foi tudo tão medíocre ?
Pela simples razão de que assim as contradições vieram ao de cima e o verniz estalou!
Repare-se: Houve votações. Nessas votações, sem eu esperar e sem o Presidente da Federação esperar, tive de exercer o meu voto de qualidade e fi-lo desalinhado com o voto federativo que assim perdeu as ditas votações.
Findo o Congresso, alertei o Presidente que queria assinar as Actas. Deixei passar 10 dias e por escrito fiz chegar à Federação essa insistência. Foi-me dada uma desculpa, que a feitura das Actas estava em preparação e não demoraria. Neste exacto momento, já passaram meses, há eleições à porta, mas, Actas do Congresso, nada!…
Estes são os factos, que sinto o dever de revelar em primeira-mão. Aqui ficam, até porque podem estar revestidos de alguma ilegalidade.

LS: Sabemos que esteve no último fim-de-semana em Montemor, o que achou das condições da pista e toda esta polémica entre Federação e a associação dos árbitros?

LM: O último fim-de-semana em Montemor, merece também uma reflexão atenta e interdisciplinar.
Procuro sempre nas minhas conclusões, não tomar a parte pelo todo. Por isso. a definição de uma tendência faço-a sempre após a soma das parcelas. Vejamos : Os atletas olímpicos e mais representativos, definiram (vide jornais) fortes críticas à Federação. Os Clubes de Remo mais representativos (vide posições recentes), definiram fortes críticas à Federação, Os Árbitros, (vide Montemor) definiram fortes críticas à Federação, eu próprio, que não estou ligado a nada e sou independente (vide ponto anterior) defino fortes criticas à Federação. Ainda em Montemor, constatei uma outra coisa com um potencial de gravidade bem maior. Vi os verdadeiros homens do Remo completamente inibidos de discutirem a problemática do desenvolvimento da modalidade, porque foram” encurralados ” num espaço onde o que importa é organizar estafetas por Conservatórias , Notários , escritórios de juristas. Ora, da soma destas parcelas ,resulta qualquer coisa que não bate certo !…

LS: Tendo sido uma regata para veteranos, ainda encontrou colegas do seu tempo de remador?

LM: Em Montemor, encontrei muitos amigos e colegas de selecções nacionais que é sempre muito gratificante rever. Não quero particularizar, mas pelo que de emocional tiverem algumas das vivências comuns. Fiquei muito feliz por reencontrar após muitos anos, o David do Fluvial, recordámos uma digressão no Brasil e uma certa aterragem de emergência com os bombeiros à nossa espera cá em Baixo !.. Com o Bóia, encontro-me mais vezes, mas aquele intenso dramatismo vivido na Aldeia Olímpica de Munique, após o ataque terrorista perpetrado do comando árabe, mantém-se nas nossa recordações .

LS: Sendo um apaixonado pelo remo, como encara o actual estado do nosso desporto?

LM: A organização do Remo, assenta hoje, por um lado, num hábil manobrismo associativo, anti-natura e perigoso. E, por outro lado, num estúpido e ignorante modelo conceptual, ainda mais perigoso. Alguns clubes já perceberam. Outros não.
Quando o efeito placebo passar, o Remo como modalidade que nós conhecemos e amamos já não existe, e a perda será irreversível. Teremos um sucedâneo do Remo que não é Remo, tal como o descafeinado é um sucedâneo do café mas não é café. Nessa altura, o Remo perde estatuto na Sociedade, perde alcance formativo, perde história, fica mais frágil do que já é.
Em Caminha ou em Lisboa, para citar regiões de forte tradição mas com diferentes (e salutares) interpretações do Remo, os clubes ficarão subitamente a falar sozinhos…
Este, é o único ponto em que eu não vou dizer tudo o que penso. Deixo, apenas este alerta. O resto, a fundamentação que tenho, fica reservada para a altura conveniente. Deus queira que não seja precisa. Mas se for, se os “sinos tocarem a rebate”, disponho-me a ajudar

LS: O que espera destas eleições e qual o futuro que gostaria de ver no remo em Portugal?

LM: Qualquer resultado que deixe aos grandes e históricos clubes de Remo, aos Árbitros ou até aos melhores remadores um sabor amargo, será fatal. Aumentará o divisionismo, e a ingovernabilidade. Se isto se verificar, ocorrerá um fenómeno bem tipificado nestas circunstâncias (quase igual à teoria de Darwin) para a evolução e sobrevivência das espécies, ou seja, a adaptação, e a ” fuga para a frente”. Ora, a fuga para a frente, será o Remo deixar de ser Remo

LS: Estão na corrida para a Direcção da FPR duas listas com programas distintos.
Qual o seu comentário a cada uma delas?
LM:
Quanto às listas em presença nas eleições, não é preciso falar muito. Uma não é nada, outra é a esperança.
A esperança, está na lista de João Oliveira. É aqui que o Remo está e se pode rever . Como está a capacidade de gerar sinergias, de elevar o patamar dos interlocutores, de ter uma figura prestigiada , representativa e com prestígio na sociedade portuguesa.

LS: Como vê o panorama desportivo nacional (não só o remo), temos grandes valores e promessas em varias modalidades que nas alturas cruciais fraquejam, o que esta a falhar?

LM: O fracasso de certos atletas talentosos é um fenómeno universal, que sempre aconteceu e acontecerá, em todo o lado .Portugal, nesse exacto contexto, não foge à regra. O que se verifica,é que esse contexto competitivo, tem a revesti-lo ,um contexto social e cultural , que no nosso País é muito pobre no que toca a mentalidades, e ao grau de exigência relativamente
à generalidade dos dirigentes desportivos. Depois, e por contraste, em passado recente apareceu muito dinheiro. Ora, esta contradição entre a pobreza de mentalidades e de culturas e a súbita abundancia de dinheiro, criou um clima propício aquilo a que eu chamo a” invasão dos não desportistas”.Um novo -riquismo no dirigismo desportivo, que o torna arrogante, que não sabe falar com os atletas, que confunde e não destingue crescimento de desenvolvimento, e que por tudo isto deixa muitos atletas desamparados, levando-os ao insucesso.
No desporto em Portugal ,cada vez mais o dirigismo desportivo está configurado num triângulo , onde em cada um dos lados encontramos. ou empresários que querem prosperar, ou aventureiros sem passado que se querem promover socialmente , ou gerontes que não largam os lugares e fazem dos mesmos um resistente reduto na sua 3ª idade .

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10 Comentarios em ““A esperança, está na lista de João Oliveira””

  • Luis Gonçalves comentou a 17 Fevereiro, 2009, 0:27

    Impresionante!!!! Bravo!!! Nem tenho mais palavras!

  • Ricardo França comentou a 17 Fevereiro, 2009, 14:05

    Realmente, a colocar os pontos nos “i’s”. Excelente entrevista, que toca em vários pontos que dão vontade de ler. No fim, ficamos com uma optima perspectiva da pessoa em questão, e melhor ainda, da sua visão critica da actual situação.
    Mais uma opinião a levar em conta, neste caso, fazendo um bom retrato do que se passa e poderá passar…

  • Felix Ribeiro comentou a 17 Fevereiro, 2009, 21:07

    Faço parte da lista do João Oliveira.

    Ao falar com o amigo Lopes Marques mas sobretudo ao “ouvi-lo” no Laststroke, a promessa que eu tinha feito de não intervir publicamente antes das eleições, deixou de fazer sentido.

    O professor Lopes Marques explicou aquilo que eu gostaria de ter dito há muito, mas que algum decoro e contenção nas apreciações aos outros concorrentes me impediam de fazer.
    O plano da discussão dos princípios e das diferentes maneiras de levar o Remo que seria a discussão que nós pretendiamos “com” ou até “contra” a outra lista, cedo se revelou impossível de atingir, por termos sido enredados numa penosa teia de intriguismo e de “politiquice barata” de “ilegalidades” e procedimentos iníquos que me surpreenderam e deixaram uma sensação de amargura.

    Não estava à espera de encontrar tanta insensibilidade.

    O desencanto começou com a proposta de troca de votos por lugares, sem nenhuma discussão de princípios ou de substância, que embora tenha sido liminarmente recusada, deixou uma indicação inequívoca do despudurado posicionamento e do tipo de relações que tem vindo a praticar-se na condução institucional da FPR.

    Seguiram-se as manobras de secretaria levadas a cabo como se a direcção da FPR tivesse que se livrar de inimigos em vez de lutar com a lealdade de quem “rema” contra adversários de outra equipa mas do mesmo campeonato.

    Ainda bem que os remadores, os árbitros, o presidente do Congresso e muitos, muitos clubes, treinadores, pais, sócios de clubes e o tecido social envolvente, acreditam que a mudança que se avizinha não depende só do dinheiro, das condições materiais e da alteração organizativa.

    Depende muito da lealdade, da lisura e do sentido de estado a que nos obrigamos perante as pessoas que participam no remo, tanto quanto da responsabilidade que todos nós temos de bem conduzir as coisas públicas.

    Obrigado Lopes Marques.

  • luis comentou a 18 Fevereiro, 2009, 9:54

    Mais uma vez parabens ao site pela entrevista, gostava porem de deixar um comentario a todo este movimento que me cria alguma apreensao. Em primeiro lugar nao gosto da lista liderada pelo sr, Rascao Marques, i.e. penso que é um pouco auto liderada por este sr. e com quem nao tenho simpatia, não lhe reconheço qualquer tipo de competencia e conhecimento para o cargo que ocupa. Esta campanha esta muito mediatisada pela internet(penso que é a primeira vez) e que está a apresentar uma lista e uma pessoa como um messias, penso que começa por um caminho perigoso. Relativamente a esta lista alerto para a subjectividade que apresenta, aparece como a salvaçao, “devolver o remo aos clubes” , nao entendo o que isto quer dizer! Começaremos a ver equipas ou representaçoes nacionais formadas por equipas de clubes? serao os clubes chamados a organizar eventos nacionais? Penso que nao. Relativamente ao financiamento, tambem nao se ve qualquer referencia e isto é muito importante(alem de tanta disputa pela liderança federativa, penso que devem haver muitos interesses em jogo pois nao ha muitos samaritanos no remo, embora aplauda o associativismo).O associativismo funciona muito em clubes, podemos ver os exemplos de um Cnidh, Anl, AAC entre outros capazes de movimentar uma grande carga humana em realizaçao de eventos e materiais mas ao nivel federativo isto nao vai la com boas acçoes e reunioes nao sao 5 km de cada casa. Ha interesses algumas pessoas (cancros) das listas estao a esfregar as maos para o poleiro, nao me refiro à figura do Dr. Joao Oliveira. Nunca fiz nada pelo associativismo por isso para mim é algo distante, mas vejo pessoas ha muitos anos envolvidos em clubes, associaçoes regionais, arbitragem, ex-federativos, que compoem esta lista cheio de passados com telhados de vidro. Lembro que a federaçao como esta agora está ma, mal liderada, penso que sem retorno admissivel, mas peço-vos o exercicio de lembrar como era antigamente, 8 ou 9 anos atras, como estava? Uma miseria de contornos semelhantes ao actual, o remo feminino foi extinguido, tinhamos tecnicos nacionais ou directores tecnicos que nao viviam em portugal, tivemos talentos expulsos da selecçao apesar de todos os elementos que iam a um C.M. irem pelo menos uma vez ao Psicologo, tivemos talentos que nem sequer os deixaram fazer testes nacionais porque estrategicamente nao era necessario o seu contributo, tivemos um talento recente (perseguido pela P.M. por problemas de secretaria ( FPR – IND) . Estou no remo ha mais de 20 anos e vejo nesta lista pessoas que sempre se habituaram a usar o merito dos outros, tirarem proveito de louros alheios! Nao me mostro nada convencido com o movimento de euforia, quem ganhe que trabalhe. O boicote dos arbitros foi a maior palhaçada que ja vi, identica a certas entrevistas de R.M. junto da comunicaçao social pre-jogos olimpicos, a pista de montemor nao tem condiçoes para pratica de Remo um ano apos a Coupe, onde estavas os arbitros? na torre de controle? nas casas de banho com chuveiro? à sombra e com agua fresca?a esquecerem-se de que estavam numa prova e tinham de tirar tempos? a acompanhar provas e quase passar por cima de atletas?a chegarem atrasados a provas?a embriagarem-se em almoços e noitadas? Nao, agora como tambem so se lembraram de ter mais um voto na secretaria decidiram a 2 semanas antes fazer uma colecta de dinheiro e fundar uma associaçao. Enfim tecnicas conhecidas de R.M., se calhar alguns destes elementos iluminados estavam nas comissoes de campanha victoriosa em mandatos anteriores.
    Penso que a campanha devia traçar “objectivos claros”, o que queremos e o que pretendemos, o que vamos tentar, para no final do mandato haver uma avaliaçao. Tem de apresentar um programa, 2010, 2011,2012 ou vamos em março fazer os testes da praxe para ver quem vai ao europeu caseiro? Qual o objectivo federativo, uma presença em londres? uma medalha num C.M.? uma presença na final B de um 2xhl e uma medalha num 1xhl? se o principal financiamento vier outra vez do COP entao basta um 2xhl para financiar toda a federaçao, entao vamos explorar os rapazes, so treinar aqueles 2 como se de um mealheiro se trata-se? lembro que federaçoes anteriores deram-se ao luxo de aniquilar o remo pesado em portugal, aniquilar o feminino, e fazer uso de alguns ligeiros, que apenas se podia chamar assim, uso. De alguns intervenientes(treinadores nacionais) coitados fizeram o que podiam e aos atletas que sao o fim da cadeia (sempre os ultimos a falar e os primeiros a sofrer- esses apenas posso aplaudir) . Nao sou muito comentador, gosto deste site como de outros, fazem um grande esforço e ai o meu obrigado, queria deixar bem claro que salvadores nao ha, mas o cancro é a maior causa de morte, dr. Joao Oliveira, infelizmente para o remo nacional, tem muitos na sua lista e se nao traçar ja objectivos e metas, vai ser minado e no final eles nao sao a cara e vao sair outra vez de fininho.

  • Estevao Pape comentou a 18 Fevereiro, 2009, 10:17

    Luis, obrigado pela tua participacao. Eu acho que os objectivos sao importantes para se avaliar no fim e mesmo a meio. Mas passam os objectivos do remo nacional todos por resultados internacionais? Por presencas em CM ou JO, medalhas ou finais A ou B? Acho que esta lista ao intitular-se “Devolver o Remo aos Clubes” esta a mostrar de que maneira se pode criar um bom nivel do remo. Os Clubes sao parte da piramide. As medalhas nos CM e JO sao apenas o topo. Primeiro temos de alimentar a Base, para depois termos um topo alto e forte. Faco me entender? Devolver o remo aos clubes, para mim, significa dar-lhes condicoes e aos seus atletas para se desenvolverem ao maximo dentro do desporto. Nao significa dar-lhes o “apoio”, que todos pedem mas ninguem especifica, mas que querem dizer “dinheiro” e nem sabem para que. O que uma Federacao pode fazer é criar um bom calendario competitivo, provas interessantes. Ter uma pista que de gozo de remar e participar. Isso sim vai motivar os atletas. Criar um sistema de selecao para a equipa nacional que seja justo e aberto, que de oportunidade a todos de la chegarem. Que crie um sistema de progressao dentro da equipa nacional, porque o “truque” de fazer os atletas saltar do C. Nacional para o Mundial ja se viu que nao funciona. Ha porvas internacionais interessantes a levar os atletas, CM Universitarios com excelente nivel, CM sub-23, C. Europa, etc. Ter uma Equipa Tecnica Nacional que visita os clubes regularmente e que aparece para ver todos os atletas a treinar, isso tambem motiva que quer ir a Equipa Nacional. Neste mandato os clubes e atletas andaram atras da FPR, andaram a fazer o que a FPR mandava. Quando tem de ser ao contrario. Os clubes tem de se sentir a base do remo e a FPR o lider e coordenador. Obviamente que alguns que estao nesta lista ja la estiveram. Mas outros nao. Eu acredito que se pode mudar e fazer coisas interessantes. é preciso é ter cuidado e nao se querer passar do 8 ao 80. A mudanca, se é que querem fazer, tem de ser progressiva. Pois o ser humano é relutante a mudanca!!

  • Álvaro Branco comentou a 18 Fevereiro, 2009, 12:05

    Exactamente, caro Estêvão; todas as grandes caminhadas começam com um pequeno passo e é passo a passo que elas se fazem. Que não haja ilusões quanto a isso. E é isso que eu e os que me acompanham, nos propomos fazer: caminhar! Mas caminhar com o Remo e para onde o Remo quiser ir, e não obrigar o Remo a ir para onde não quer ir. Queremos liderar e não comandar. Penso que o Luís perceberá a diferença. Por isso, contamos com todos. Mas mesmo todos, desde que venham por bem.

    Álvaro Branco – Membro da Lista “Devolver o Remo aos Clubes”

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