Nacional de Veteranos cancelado por falta de condições

Arbitros de Remo
O Campeonato Nacional de Inverno de Veteranos, programado para hoje em Montemo-o-Velho, não se realizou devido à alegação de falta de condições por parte dos arbitros de remo presentes. Embora as condições climatéricas estarem favoráveis à realização de provas de remo, os àrbitros presentes alegaram que não estavam reunidas as condições necessárias à realização de uma prova nacional de remo. Entre as razões para esta tomada de posição foi evocada a falta de condições da pista de remo de Montemor-o-Velho segundo os regulamentos da FISA. Outras justificações, como a não presença de assistência médica, foram dadas. A Federação Portuguesa de Remo viu-se obrigada a cancelar as provas programadas.
O actual Presidente da Federação Portuguesa de Remo (FPR), António Rascão Marques, que se recandidata para manter a continuidade, não esteve presente em Montemor-o-Velho.
Esta tomada de posição dos arbitros terá sido também uma forma de protesto pela não aceitação na recente Associação Nacional de Arbitros de Remo como sócia da FPR. Este impedimento, a manter-se, não permite que esta associação participe nas próximas eleições para os orgãos sociais da FPR.
Esta decisão cria um precedente que não sei que proporções poderá criar no futuro! Acho que foi uma decisão com alguma gravidade! Estou solidário com a revolta dos arbitros, mas se a decisão deste sábado foi tomada com o intuito de lesar esta federação, então acho que não só lesou a federação como lesou os clubes de remo e também o Remo em geral! Não poderemos levar de animo leve o que se passou este sábado. Coloco a seguinte questão, se esta decisão for tomada num Nacional de Séniores os clubes levaram tão pacificamente esta situação como levaram esta sábado?! Porque se a pista não tem condições (já toda a gente sabe!!) porquê os arbitros não cancelarem esta prova dias antes? Quem vai assumir os custos que os clubes tiveram para se deslocar até Montemor? O Remo nacional precisa de uma renovação mas penso que não é com este tipo de acções que levaremos o Remo a “bom porto”!! Fico extremamente triste ao ver como o Remo português anda, este tipo de acções leva que cada vez mais haja menos remadores. Reanimem este este desporto porque Ele anda muito doente!!
Permitam-me que coloque mais uma questão, se as razões para que este nacional fosse cancelado estão nas más condições da pista de Montemor, (que eu não nego!!), onde existe em Portugal um plano de água onde existam essas condições?
Que esta atitude dos árbitos, de resto perfeitamente legítima, é um precedente ninguém poderá ter a menor dúvida. Porém, só o poderá ser pela positiva. Finalmente, alguém começou a ser tão exigentes com a Federação como a Federação o é com todos os agentes da modalidade. O meu aplauso! Há de facto muitos lugares onde não existem algumas das condições exigidas agora pelos árbitros. Simplesmente, esquece-se o caro Pedro Miranda, que, nesses lugares, não há pista alguma. Ao contrário de Montemor. Sendo mais concreto: no Douro, na Aguieira ou em Avis, por exemplo, não é exigível que existam pontões de largada e balizagem. Não são “pistas”. São lugares onde se rema. Onde se fazem umas provas. Mas em Montemor? Aí estamos numa pista, supostamente balizada e onde se exigem as condições, muito especialmente as de segurança e de garantia de salvaguarda da verdade desportiva. Já que o resto, como sabemos, é uma miragem! E sobretudo os meios de socorro e assistência, entre elas médica ou paramédica, naturalmente terá que ser sempre assegurada, custo o que custar. Ou não concorda com a salvaguarda da saúde e até da vida dos atletas? Ou alguém julgará que as coisas deixam de existir se nós fizermos de conta que não as vemos ou se simplesmente fecharmos os olhos?! Quanto aos custos para os clubes, muito embora ache que este será o menor problema em presença, naturalmente a Federação está obrigada, pelo menos, a pagar os respectivos subsídios regulamentares. Digo pelo menos, porque, bem vistas as coisas, a Federação poderá até vir a ser demandada a pagar na íntegra os custos suportados pelos clubes, a título indemnizatório por responsabilidade extracontratual. De facto e de direito, a Federação é a única responsável pela não realização dos Campeonatos, por omissão de deveres a que esta obrigada, seja pelos seus próprios regulamentos, seja pelos da FISA, organismo a que pertence. Como vê, caro Pedro, as coisas não são tão simples como alguns as pintam! E raramente a realidade é a preto e branco. Coisas que os anos nos ensinam! AtNaturalmente os responsáveis da FPR virão, agora, procurar fazer dos árbitros os demónios. Eventualmente até poderão tentar tirar daqui vantagens eleitorais. Não são eles, afinal, especialistas em manobras de toda a espécie para ganharem, na secretaria, as eleições? De resto, um certo membro da Direcção presente em Montemor apressou-se a fazer eco dessa intenção. Não tenho sequer a menor dúvida que procurarão fazê-lo. Porém muito mal andará o remo se os clubes embarcarem nessa história. O facto é que a FPR não assegurou as condições a que se encontra obrigada. E o Júri entendeu não permitir a realização do Campeonato. Com toda a legitimidade e dentro de total legalidade. Ao contrário da Direcção cessante da FPR que, de forma que não hesito em qualificar como infame, recorrendo a manobras dilatórias e de excesso de zelo, tudo tem feito para afastar potenciais opositores à sua candidatura. Primeiro foi a ANAR, supostamente por falta de uma papeleta qualquer de registo. Depois a tentativa completamente despropositada e persecutória de tentar explusar o histórico CDUP da FPR por alegada desconformidade de estatutos e supostas irregularidades dos órgãos sociais (como se a FPR tenha algo a ver com isso) de que teriam tido conhecimento por “alguém” (o melhor estilo pidesco em acção) . E finalmente, last but not the least, a cereja em cima do bolo: a APAR não poderá votar no próximo dia 21 (a ver vamos, como diria o ceguinho) porque o Sr. Presidente da Direcção, na sua incansável cruzada para a usurpação do poder, levou, nada mais nada menos que 36 dias a iniciar o processo de admissão da APAR na FPR, pedindo, então documentação que, desde o início, estava já em poder dos serviços federativos. Palavras para quê? É um artista de Buarcos, homem com “agá” pequeno, a condizer com a pessoa, capaz de tudo. Criatura que faria corar de vergonha o pior dos Bocassa!
Caro Luis Gonçalves, pelo que explica no seu comentário a razão pela qual não existiu regata foi por motivos de inexistência de meios de socorro e assistência? Os problemas logisticos da pista, nomeadamente falta de boias, não foram considerados nesta anulação de regata? Agradeço pelo seu esclarecimento porque infelizmente, e falo por mim, as razões deste cancelamento da regata não foram devidamente explicados aos atletas. Passou apenas a informação de falta de condições da pista, agora quais (que influenciaram este cancelamento) . A pista designada de remo e canoagem como todos nós vemos, cada vez mais, está longe de o ser e se a degradação da pista influenciará regatas futuras, na minha humilde opinião, acho que não deveriam existir mais regatas em Montemor enquanto não foram salvaguardas todas essas condições necessárias. Mas já agora gostava de saber se na sua opinião, Luis Gonçalves, se o Campeonato em causa fosse o nacional de séniores este cancelamento existiria?!
Eu não frequento a pista de Montemor desde o último nacional de verão (junho 2008). Não vejo que condições se poderão ter alterado assim tanto desde Junho, que não estivessem já deterioradas, que impeçam a realização de provas agora e não impediçem em Junho de 2008!!? Acho que a pista desde que foi inaugurada em 2002 só viu as suas condições piorarem. Se foi pelas condições da própria pista, então não há condições para as próximas provas antes de uma intervenção. Se foi por falta de condições, por exemplo falta de médico ou condições de trabalho para arbitros e juris, então tudo bem. Mas esta direcção da FPR gaba-se tanto de ter feito tantos investimentos e nem conseguiu investir em 1000metros de boias para a pista!? Ou em gastar dinheiro em manutenção!? Será que em 2010 vamos ter uma pista 5estrelas e passados 3 anos já nao terá boias de novo?
Ao ler os comentários anteriores, verifico que existe grande confusão relativamente ao que se passou, de forma que, como fui um dos intervenientes directos no processo, deixem-me tentar esclarecer um pouco o que realmente está em causa. Quem se der ao trabalho de consultar o nosso Código de Regatas, aprovado pelos clubes em Assembleia Geral, e em relação ao qual os árbitros não foram consultados, verá que ele é muito explícito nas condições que impõe, em especial quanto a provas que sejam Campeonatos Nacionais. Verificará, também, que ele impõe aos árbitros que o façam respeitar e que sejam responsáveis pela verificação das condições da pista e da sua conformidade com o CRN. Como árbitros, quase todos passámos por muitas outras funções no remo e, mesmo que o não tivéssemos feito, bastariam dois dedos de testa para percebermos que as condições que os clubes aprovaram em Assembleia Geral da Federação não se encontram reunidas para nenhuma prova, isto desde o início. Em bom tempo chamámos, enquanto árbitros, a atenção para a necessidade de se introduzirem alterações e de se flexibilizarem condições para determinadas provas (as de Yolle, por exemplo). A tudo isto os sucessivos órgãos sociais da FPR fizeram orelhas moucas. Nos primeiros anos, ainda houve uma tentativa de se reunirem as condições, pelo menos nos Campeonatos Nacionais em Shell e foi-nos solicitado que fossemos, gradualmente, apertando a malha, em termos de exigência. Anuímos, talvez erradamente, porque sabíamos que se aplicássemos o CRN como estamos obrigados a fazer, não haveria provas em Portugal. Isso valeu-nos ficar, durante todos estes anos, com o ónus do que se passava: éramos os culpados se deixávamos existir uma prova sem condições e algo corria mal, éramos os culpados se não deixávamos, porque estávamos a matar o remo. Enquanto isto durou, a Direcção da FPR passou a entender que, sendo ela que mandava, podia exigir aos clubes o que ela não cumpria, mesmo se é a única a manter não se sabe bem quantos colaboradores que são pagos ao dia por cada prova a que vão (e asseguro-vos que não me refiro aos árbitros). Deixou de haver segurança, deixou de haver médico, deixou de haver embarcações para a arbitragem, deixaram degradar a Pista de Montemor a um ponto de não retorno, etc, etc, etc… Posso dizer-vos que, há dois anos, depois de termos tido uma reunião com o Presidente da Federação em que ele se comprometeu a alterar este estado de coisas, num Campeonato Nacional já não me lembro do quê, mas em Montemor, um dirigente da FPR que lá estava como responsável da organização e que, curiosamente, era o mesmo do passado fim de semana, quando confrontado com a falta de condições e com a contradição entre isso e o que o chefe dele havia prometido, se sai com algo do género “eu cumpro se quiser, que quem manda é a Direcção”. Fizemos, acho eu, mal em ter pactuado tanto tempo com esta situação. Até porque, é bom lembrá-lo, se tivéssemos a infelicidade de acontecer algo mais grave a um remador durante uma dessas provas, somos criminalmente imputáveis pelo sucedido. O ano passado, por exemplo, num dos Campeonatos Nacionais, um skiff virou-se na prova que eu acompanhava. Por sorte, eu não estava num daqueles “magníficos” catamarans que algum iluminado federativo se lembrou de mandar fazer e pude socorrer o atleta. Só muito depois chegou a única lancha de socorro, que nada fizeram, senão confirmar que chegaram tarde. Se o atleta em questão se tivesse sentido mal, se fosse inexperiente e entrasse em pânico, como seria? Quantos segundos, ou minutos, bastariam para que se afogasse? Este ano, e até perante a sanha pseudo-legalista dos actuais órgãos sociais da FPR, que até associados que os elegeram perseguem, rebuscando os mais infímos detalhes legais na tentativa de os expulsar da FPR, desde que os considerem, e cito o Sr. Rascão Marques, “traidores”, não nos quisemos continuar a expôr e foi tomada a decisão de fazermos aquilo a que estamos obrigados enquanto árbitros, ou seja a fazer aplicar o Código de Regatas e os Regulamentos aprovados pelos clubes em Assembleia Geral. Cientes, no entanto, do impacto dessa decisão no remo, decidimos, também, constituir a Associação Portuguesa de Árbitros de Remo, que é a única forma de podermos ter participação na AG e, dessa forma, podermos ter um papel activo nas necessárias adaptações do CRN e outros regulamentos, entre outras coisas. Esse passo já havia sido dado pelos atletas (ANAR) e pelos treinadores (ANTREMO). Para nossa surpresa, temos estado a ser vítimas de um veto de gaveta por parte dos actuais órgãos sociais, simplesmente porque o Sr. Rascão Marques acha que não vamos votar nele e que se arrisca a perder as eleições, se isso acontecer. Quanto ao que se passou concretamente em relação ao Campeonato Nacional de Veteranos, foi sensivelmente o seguinte: a DIrecção e o Presidente da FPR, bem como os seus serviços foram repetidamente avisados para a necessidade de cumprirem os requisitos do CRN. Como de costume, optaram por ignorar e não cumprir (ai se a prova fosse do CNIDH, ou da ARS em Avis, por exemplo, tão lestos que seriam eles mesmos a mandar circulares e ofícios para a impedirem). Perante isto, como ficou a constar do Relatório de Provas, o Júri, no exercício das suas funções e no estrito cumprimento das suas obrigações, constatou não estarem reunidas as condições (zona de largada e segurança foram os principais factores, a balizagem nem sequer foi abordada) para a realização das provas, por factores imputáveis, exclusivamente, à Organização. Não nego que a atitude do sr. Rascão Marques e acólitos perante a APAR ajudou a precipitar a situação, no sentido em que nos fez perceber o quanto tinha sido apreciado o esforço de todos estes anos para condescender com a falta de condições, o esforço e sacrifício de estar mais de um ano à espera de ser ressarcido das despesas efectuadas com deslocações, estadias e refeições para que as provas se pudessem realizar e até que ponto eles estavam verdadeiramente interessados na nossa ajuda para tentar resolver alguns problemas gritantes do remo. Foi isso que levou, inclusivé, a que ponderássemos não comparecer, como podem ter lido no artigo que saiu em “A Bola”. Optámos por não o fazer, e por comparecer para arbitrar em Montemor, por respeito aos clubes e aos atletas. Portanto, a decisão tomada não está directamente relacionada com o que se passa com a APAR, nem deve ser vista como retaliação. O que se passa apenas ajudou a aliviar os problemas de consciência que adviriam de estragar um dia de provas. Aliás, pensando melhor, quem estragou foi a Organização. Já agora e para concluir, entre os árbitros que tomaram a decisão, que foi unânime, diga-se, estavam alguns que não são sócios da APAR (pelo menos, por enquanto).
Pedro Ramos, obrigado pelo esclarecimento. Indiscutivelmente são demasiadas situações graves para que esta direcção da Federação continue.
eu venho por este meio informar olhem a este nome -carlos oliveira BOIA- veteranos …. alguem me pode diser quantos titulos este senhor tem actualmente?