Setembro 27, 2007
Os últimos são os primeiros
A temporada internacional chegou ao fim e os resultados das nossas equipas deixaram um pouco a desejar. Não porque ficamos em último, em 22º ou em 14º, mas porque sabemos e sentimos que era possível mais e melhor.
Ficar em último não é nenhum drama ou nenhuma vergonha, faz parte do nosso crescimento e da nossa valorização, desportiva, profissional e pessoal.
Os últimos lugares sempre existiram e não serão vergonha, para tal basta que tenhamos uma postura digna e nos empenhemos ao máximo, não só na prova, mas durante toda a preparação. Ficar em último faz parte do jogo, mas ficar em último consecutivamente, não melhorar, não querer o melhor não é digno de quem está envolvido no Alto Rendimento.
Querer mais, querer melhor, procurar a perfeição deverá integrar o pensamento e atitudes de um desportista. Então quando falamos em alta-competição, esses atletas não podem falhar nada. O mesmo se aplica aos treinadores, têm de dar o máximo, não podem relaxar. Além de darem e quererem o máximo de conhecimento, ainda têm de estar atentos aos seus atletas. Têm de se prevenir quando estes falham ou desleixam. Todos os pormenores contam, e eles têm de o saber. Este ano, no caso da selecção nacional, não foi o que vimos. Dai a desilusão.
Os nossos melhores atletas, Pedro Fraga e Nuno Mendes, que nos dão as amiores esperanças de uma qualificação olímpica conseguiram um 14º lugar. Insuficiente para os objectivos traçados, mas terá sido uma má prestação? Um mau resultado? Ficámos desiludidos? Não!
E porquê? Porque se viu uma melhoria. Subiram na classificação. Fizeram o melhor resultado dos últimos 14 anos no 2x Ligeiro. Poderiam ter feito melhor? Claro, podemos todos!
Nas últimas semanas temos assistido ao Campeonato do Mundo de Rugby.
A nossa selecção nacional perdeu todos os jogos, inclusivamente levou uma tareia da Nova-Zelândia. Mas foi aplaudida por todos. Receberam mensagens de apoio de todos. Foram vistos por milhões. Cantaram o hino com orgulho. E o rugby este ano certamente vai receber centenas de novos praticantes e ver o regresso de muitos. E não ficou em último? E não tinha o rugby de pior qualidade? E não tinha os jogadores menos dotados física e tecnicamente? Sim!
Mas como o selecionador nacional Tomaz Morais afirmou: “Quando se é digno, é se grande” e “a maior vitória foi ver a quantidade de miúdos que apareceram para jogar rugby”.
Tomaz Morais comanda a equipa nacional de rugby com enorme liderança, mas com enorme amizade e companheirismo. Já foi jogador e está em campo (como treinador) de igual para igual com qualquer jogador da selecção. Vive os jogos, as vitórias e as derrotas na pele. Trata por tu os jogadores. Todos o escutam, o ouvem e o respeitam, pois vêm nele um líder e uma pessoa com conhecimento de causa com capacidade para ser o Seleccionador Nacional.
A selecção de rugby foi a última em França, mas foram os primeiros em Portugal. Era o nosso melhor que lá estava. Evoluíram e agora trazem esse conhecimento para o nosso país, os nossos campeonatos, as nossas equipas, os nossos jogadores.
Agora pergunto:
fomos dignos na nossa participação nos Mundiais e Taças do Mundo de Remo?
Sentimos que a nossa selecção nos dignificou?
Será que os atletas da selecção escutam, ouvem e respeitam os nossos treinadores nacionais? Será que os vêm como sabedores, como superiores que os ajudam a melhorar? Será que os treinadores apoiam os nossos atletas? Dão o máximo?
Será que os remadores que foram ao mundial em Munique eram os melhores? Ou haveria melhor em Portugal? E os que foram sentiam que eram os melhores?
A resposta é óbvia, basta ver o estado de desagrado e desilusão dos praticantes e adeptos da modalidade.
Não quero com estas palavras tirar mérito ou desprestigiar qualquer atleta nacional, que representou o país. Cada um saberá o que faz e o que pode fazer. Todos desejam ser melhores, ganhar e evoluir. Todos querem representar dignamente Portugal.
Por vezes o sucesso não é ser Campeão do Mundo, mas fazer que o desporto cresça com os nossos resultados. Que o último lugar seja digno e positivo. Que a participação motive os remadores portugueses. Que aumente o nível competitivo, a experiência e a motivação.
