Pirilampo Mágico chega ao remo

Pirilampo Mágico 2008

Pirilampo Mágico 2008

Carlos Gesta, responsável pela secção de remo do CDUP, é um dos elementos mais entusiastas e dinâmicos do remo na região do Porto. Tem demonstrado grande paixão e dedicação ao remo, principalmente aos mais jovens. No final do ano passado surgiu-lhe uma ideia de realizar uma regata-convivio, de 100 a 250m metros, onde seria possivel a crianças com deficiência intelectual participarem num evento de remo. A ideia já está em ante-projecto e a receptividade tem sido boa. Falámos um pouco com Carlos Gesta, para ficar a conhecer melhor este projecto.

Laststroke: Como surgiu a ideia para este regata do “Pirilampo Mágico”?
Carlos Gesta: A ideia surgiu depois de ter sido abordado por uma pessoa amiga para trazer uma das filhas para o Remo. Obviamente disse que sim e, em conversa, confidenciou-me que tinha uma outra com Síndrome de Down. O tema andou à volta das poucas oportunidades de praticar desporto que é dado a estas crianças e daí ter surgido a ideia de contactar a CERCIGaia e apresentar a ideia de uma regata em boti-bota que foi logo acarinhada e incentivada.

LT: Qual a receptividade das entidades oficiais para esta organização?
CG: Ainda estou na fase final de ante-projecto pelo que só agora começo a receber os apoios e a definir qual o melhor modelo a implementar. No entanto, quer a Junta de Freguesia do Canidelo, onde se situa a Baia de Sº Paio (Bico do Cabedelo da Afurada), quer a FENACERCI estão de muito entusiasmadas com a ideia e já apresentaram algumas sugestões de melhoramento e enriquecimento social da iniciativa. O apoio de algumas empresas tem sido medido pelo pedido de esclarecimentos e de que forma podem participar, o que será feito quando o projecto estiver concluído.

LT: Esta regata é uma prova para um ano, como aconteceu com o “Remo Indoor Escolas” ou é para ter continuidade?
CG: A minha ideia sempre foi criar iniciativas que tenham continuidade. Aproveitando da minha ocupação profissional na época, fui o mentor da primeira regata de 500 metros em sistema de eliminatória que se fez em Portugal, (Regata 5º Aniversário Continente) que contou com o esforço e empenho do CDUP e do Luís Faria em especial e que tanto sucesso teve e no ano passado do I torneio Inter-Escolas em Remo Indoor. Acontece que estas iniciativas dão muito trabalho e tem alguns custos pelo que fica sempre a porta aberta para as entidades competentes ( FPR, Associações,…) agarrem as ideias e lhes dêem continuidade.
Como no ano passado pertencia à APELGA (Ass. Pais Escola Sec. Almeida Garrett), o torneio foi inserido no seu plano de actividades e contou com o seu contributo, em especial na definição do local da final e na atribuição dos prémios. A DREN e a Gaianima foram igualmente importantes parceiros no apoio logístico. Este ano já fui abordado ainda que informalmente, pela Gaianima para o repetir, mas o CDUP, por si só, não tem condições de o assumir pelo que ainda está aberta a possibilidade de o voltar a realizar. Surjam os apoios.

LT: Visto haver já o interesse de outros clubes em apoiar esta iniciativa, quer dizer que esta vai ser uma regata a realizar em vários locais do país ?
CG: Não posso fazer uma afirmação dessas nem tirar essa conclusão. A ideia é realizar, este ano, um evento que seja um sucesso para os intervenientes e fundamentalmente uma oportunidade de divulgar a modalidade e as suas potencialidades. Quanto maior for o seu impacto maior a probabilidade de o estender a outras zonas do pais embora ache que o local que está pré-definido seja excelente e reúna todas as condições para que se possa introduzir anualmente no calendário da Campanha do “Pirilampo Mágico” esta iniciativa.

LT: Os clubes estarão preparados para dar continuidade a esta ideia, existem estruturas, material e pessoal preparado para trabalhar com estes jovens?
CG: Sinceramente, acho que não. Mas tem que se começar por algum lado.
Costumo dizer que caminho começado é meio caminho andado.
A filosofia portuguesa é do improviso e do desenrasca. Sei que alguns clubes tem uma preocupação muito grande com esta população mas os apoios são poucos ou nenhuns. Se não se alerta para estes problemas, a situação ainda é pior. É preciso que as entidades responsáveis apoiem os clubes e lhes proporcionem condições de prestar o seu papel social. O custo de relvar um campo de futebol é mais do que suficiente para dotar os todos os clubes de barcos próprios para estes jovens.

LT: Qual o feed back da federação e do seu sector remo sem limites a esta ideia?
CG: Ainda não tive qualquer feedback por parte da FPR mas também ainda não fiz qualquer abordagem. Como estamos nesta fase eleitoral, não quis criar engulhos no processo eleitoral. Depois do dia 21 será apresentado o projecto e depois se verá qual será a receptividade e o apoio, independentemente do candidato vencedor.
Uma coisa é certa: este tipo de iniciativas não pode ser visto como uma forma de financiar a FPR. Ela tem ou terá que assumir a sua responsabilidade social e os custos inerentes.

LT: Qual poderá ser o retorno desta iniciativa para o remo nacional?
CG: Muito grande. Vai ser criada uma montra da modalidade e das suas potencialidades. A difusão mediática será grande e aquilo que se espera que seja a mecânica e funcionamento do evento vão movimentar alguns milhares de pessoas que terão um contacto directo com o remo e com os clubes presentes, seja na vertente náutica e de competição seja na de lazer. Será igualmente uma oportunidade de se fazer captação de futuros adeptos da modalidade.

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