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	<title>Laststroke &#187; jose lopes marques</title>
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	<description>:: Remo em Português</description>
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		<title>&#8220;A esperança, está na lista de João Oliveira&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 16:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Estevao Pape</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Eleicoes FPR 2009]]></category>
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		<category><![CDATA[desporto]]></category>
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		<description><![CDATA[Nesta altura de muita controversia e decisoes importantes para o Remo Nacional, o Laststroke falou com Jose Lopes Marques, que esteve presente no recente Campeonato Nacional de Veteranos em Montemor. Para quem nao o conhece, tem duplo motivo para ler esta entrevista. Laststroke: A sua vida tem sido sempre ligada ao desporto, quer como atleta, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1093" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-1093" title="Jose Lopes Marques" src="http://www.laststroke.com/wp-content/uploads/joselopesmarques-300x238.jpg" alt="Jose Lopes Marques" width="300" height="238" /><p class="wp-caption-text">Jose Lopes Marques</p></div>
<p>Nesta altura de muita controversia e decisoes importantes para o Remo Nacional, o Laststroke falou com Jose Lopes Marques, que esteve presente no recente Campeonato Nacional de Veteranos em Montemor. Para quem nao o conhece, tem duplo motivo para ler esta entrevista.</p>
<p><strong>Laststroke: A sua vida tem sido sempre ligada ao desporto, quer como atleta, dirigente, comentador ou como politico. O que o fez estar afastado das lides desportivas nestes últimos anos?</strong></p>
<p><strong>Lopes Marques: </strong>- Só uma pequena correcção a esta apresentação: Político não fui ! Fui, antes, &#8221; vizinho&#8221; dos ditos , já que trabalhei com muitos e muitos Governos . Em lugar disso, falta uma coisa de que me orgulho e não está lá: fui também técnico. De resto, o vosso &#8220;retrato&#8221; está quase completo.<br />
Antes de mais e antes de tudo, quero frisar que a síntese que irei fazer é muito contida. Faço-a apenas pelo Remo e não por mim. Fico, até, &#8221; nervoso&#8221; que pensem ser um exercício de vaidade. Não é !  É , antes, e tão só, uma maneira de &#8220;pôr na ordem&#8221; uns quantos aventureiros, ignorantes e atrevidos que, quando abrem a boca ou sai demagogia ou sai ridículo.<br />
As razões porque estive ( e estou) afastado, vão perceber-se mais á frente. Já lá vamos.</p>
<p><strong>LS : Esteve ligado ao remo e ao desporto em geral durante muitos anos, como foi o seu trajecto?</strong></p>
<p><strong>LM: </strong>A minha ligação  e o meu curriculum no Desporto é muito completo e multifacetado. Direi, até, que se no plano das especialidade há  curriculae  muito melhores que o meu, no plano da globalidade, em Portugal, ainda ninguém lá chegou: Fui atleta, fui técnico, fui professor, fui dirigente, fazendo tudo isto sempre ao mais alto nível.<br />
Embora tenha praticado, sido campeão e internacional noutras modalidades , É ao Remo onde me iniciei com 12 anos,  a quem  eu devo a formação da minha pessoa e o ponto de partida para um percurso que acabou por ultrapassar largamente as fronteiras da  modalidade.<br />
Será interessante, dar uma certa ordem cronológica às coisas, fazendo-o a partir do Remo:  Até aos meus 27 anos fui remador, campeão nacional, capitão de Selecções Nacionais, olímpico em Skiff. Nos finais de 74, com surpresa minha, fui chamado pela Junta de Salvação Nacional para integrar a Comissão Liquidatária da Mocidade Portuguesa, donde me resultou uma fantástica experiência. Fui eu que promovi a transição e a integração no&#8221; Universo Civil&#8221; de um impressionante  património, que ia de aviões a barcos, de pessoas (funcionários) a edifícios em todo o território.<br />
No caso do Remo, saíu das minhas mãos a afectação de instalações, de material e das actividades existentes em todo o País.<br />
Encaminhei as coisas de modo a chegarem, paulatinamente aos clubes, depois de um transição pela Direcção-Geral dos Desportos. Isso tanto para as actividades, entenda-se Escolas de Remo, como para as instalações. Por exemplo, o edifício onde ainda hoje está instalada a própria Federação, fui eu que fiz e sua afectação ao Remo.</p>
<p>Depois deste desempenho, fui convidado para ir para a Direcção-Geral dos Desportos.<br />
Aí comecei como coordenador do Plano Nacional de Desenvolvimento do Remo. Levámos o Remo ao interior, multiplicamos o número de Escolas. Lembro-me de enviar para os mais inesperados e recônditos sítios de Portugal, colaboradores inesquecíveis que tive:  João Oliveira, Vítor Domingos, António Amorim, Loureiro, etc, etc&#8230;.<br />
Simultaneamente, lançou-se um ambicioso projecto de cooperação internacional, trazendo a selecção Polaca para estagiar em Ferreira do Zêzere e aproveitando essa presença, par arrancar com um intenso e alargado plano de formação de quadros.</p>
<p>Depois, fui convidado para fundar e ser o primeiro Director do Instituto Nacional dos Desportos.  De seguida,  o Dr. Sá Carneiro, &#8220;contra ventos e marés &#8221; (porque eu não era político) foi buscar -me para Director-Geral dos Desportos, lugar que mantive durante muito tempo inclusive em Governos do Dr. Mário Soares. Por inerência, era também, o Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Fomento do Desporto e Administrador do Totobola.</p>
<p>Segue-se uma fase diferente, muito honrosa, ensinadora e relevante. Por vontade e eleição dos meus colegas europeus (note-se que na altura, Portugal  não estava na União Europeia, e não havia &#8220;aritméticas&#8221; políticas) sou eleito para o Comité Director do Desenvolvimento Desportivo do Conselho da Europa em Estrasburgo e, também, por eleição dos meus colegas, eleito Administrador do &#8220;Clearing House&#8221;, banco de dados do Conselho da Europa para as ciências do Desporto, sedeado em Bruxelas.</p>
<p>Curiosa e pouco conhecida, é a actividade diplomática que desenvolvi a seguir. Não sendo diplomata de carreira, fui escolhido e (ou) convidado para integrar missões diplomáticas de grande relevância e melindre, da Rússia aos Estados Unidos, da Índia ao Brasil, etc.etc. De algumas dessas missões guardo reserva, mas, por exemplo, integrei com o então Ministro dos Negócios Estrangeiros, Prof. André Gonçalves Pereira, a primeira missão e o primeiro acordo com a Índia, celebrado em condições adversas e só muitos anos após a ocupação de Goa.</p>
<p>Talvez (não sei&#8230;) por tudo isto, venho a ser convidado especial da &#8221; Casa Branca&#8221; em nome do Presidente Ronald Reagan. Seguiram-se interessantes convites dentro dos Estados Unidos, Estive na fundação da U.S. Physical Fitness Academy em Indiannapolis, estive no interior da U.S-Air Force Academy em Colorado Spings e na U.S Naval Academy em Annapolis ,ou, ainda, na Universidade da Califórnia , São Francisco<br />
Por cá, em participações e ou funções mais diversas, fui membro do Conselho Consultivo de Lisboa 94-Capital Europeia da Cultura, Fui Vice-Presidente do Sporting, fui da Comissão Instaladora da Associação de Atletas Olímpicos de Portugal, sou membro da Academia Olímpica, etc&#8230;</p>
<p><strong>LS: Em relação ao remo, como começou e qual o seu ponto alto?</strong></p>
<p><strong>LM: </strong>O meu ponto alto no Remo são vários pontos altos. Por definição, um  ponto alto tem sempre qualquer coisa de emocional e de objectivo alcançado.<br />
Realço,  três  momentos:  Quando ao fim de anos e anos de esforço  entro como atleta no Estádio Olímpico . Quando, pela primeira vez sou Campeão Nacional. Quando pela primeira vez no mundo sou eu que ponho crianças cegas a remar ( e elas para acreditarem largam os remos para palpar a água do Tejo) !&#8230;.Quando vi esse trabalho traduzido no estrangeiro e louvado pela UNESCO.</p>
<p><strong>LS: O Congresso de Remo, presidido por si, embora pobre em apresentações, levantou algumas questões ao actual estado da modalidade.<br />
Como comenta o seu conteúdo e a não divulgação dos seus resultados?</strong></p>
<p><strong>LM:</strong> A &#8220;história &#8221; do Congresso do Remo, é um caso a todos os títulos lamentável. É um verdadeiro &#8220;case study&#8221; , que me deixou amargurado e desiludido .<br />
A minha posição em relação ao Remo é de afecto e disponibilidade para ajudar com boa-fé e sem preconcebidos, se a ajuda me for pedida e se eu estiver em Portugal<br />
O convite que me foi formulado para presidir ao Congresso foi por mim interpretado dessa maneira face à apresentação que me foi feita. Todavia, já em cima do Congresso, percebi que, afinal a realidade era bem outra.<br />
O propósito, era,  apenas e tão só, aproveitar o meu nome e direccionar as coisas para a mais estúpida e saloia manobra eleitoral. A isto adicionou-se, uma participação do Governo, totalmente ridícula, ignorante e abusiva, como se os participantes &#8211; homens do Remo e do Associativismo &#8211; fossem mendigos do governo ou atrasados mentais.<br />
Confesso, que equacionei varias vezes a hipótese de me vir embora . Mas, entendi, que pelos homens do Remo presentes, eles não mereciam isso.<br />
Julgo, que apesar de tudo, foi certo e prestei um serviço ao Remo.<br />
Pode perguntar-se, como e porquê se foi tudo tão medíocre ?<br />
Pela simples razão de que assim as contradições vieram ao de cima e o verniz estalou!<br />
Repare-se: Houve votações. Nessas votações, sem eu  esperar e sem o Presidente da Federação esperar, tive de exercer o meu voto de qualidade e fi-lo desalinhado com o voto federativo que assim perdeu as ditas votações.<br />
Findo o Congresso,  alertei o Presidente que queria assinar as Actas. Deixei passar 10 dias e por escrito fiz chegar à Federação essa insistência. Foi-me dada uma desculpa, que a feitura das Actas estava em preparação e não demoraria. Neste exacto momento, já passaram meses, há eleições à porta, mas,  Actas do Congresso, nada!&#8230;<br />
Estes são os factos, que sinto o dever de revelar em primeira-mão. Aqui ficam, até porque podem estar revestidos de alguma ilegalidade.</p>
<p><strong>LS: Sabemos que esteve no último fim-de-semana em Montemor, o que achou das condições da pista e toda esta polémica entre Federação e a associação dos árbitros?</strong></p>
<p><strong>LM: </strong>O último fim-de-semana em Montemor, merece também uma reflexão atenta e interdisciplinar.<br />
Procuro sempre nas minhas conclusões, não tomar a parte pelo todo. Por isso. a definição de uma tendência faço-a sempre após a soma das parcelas. Vejamos : Os atletas olímpicos e mais representativos, definiram (vide jornais) fortes críticas à Federação. Os Clubes de Remo mais representativos (vide posições recentes), definiram fortes críticas à Federação, Os Árbitros, (vide Montemor)  definiram fortes críticas à Federação, eu próprio,  que não estou ligado a nada e sou independente  (vide ponto anterior) defino fortes criticas à Federação. Ainda em Montemor, constatei uma outra coisa com um potencial de gravidade bem maior. Vi os verdadeiros  homens do Remo completamente inibidos de discutirem a problemática do desenvolvimento da modalidade, porque foram&#8221; encurralados &#8221; num espaço onde o que importa é organizar estafetas por Conservatórias , Notários , escritórios de juristas. Ora, da soma destas parcelas ,resulta qualquer coisa que não bate certo !&#8230;</p>
<p><strong>LS: Tendo sido uma regata para veteranos, ainda encontrou colegas do seu tempo de remador?</strong></p>
<p><strong>LM: </strong>Em Montemor, encontrei muitos amigos e colegas de selecções nacionais que é sempre muito gratificante rever. Não quero particularizar, mas pelo que de emocional tiverem algumas das vivências comuns. Fiquei muito feliz por reencontrar após muitos anos, o David do Fluvial, recordámos uma digressão no Brasil e uma certa aterragem de emergência com os bombeiros à nossa espera cá em Baixo !.. Com o Bóia, encontro-me mais vezes, mas aquele intenso dramatismo vivido na Aldeia Olímpica de Munique, após o ataque terrorista perpetrado do comando árabe, mantém-se nas nossa recordações .</p>
<p><strong>LS: Sendo um apaixonado pelo remo, como encara o actual estado do nosso desporto?</strong></p>
<p><strong>LM: </strong>A organização do Remo,  assenta hoje, por um lado,  num hábil manobrismo associativo, anti-natura e perigoso. E, por outro lado, num estúpido e ignorante modelo conceptual, ainda mais perigoso. Alguns clubes já perceberam. Outros não.<br />
Quando o efeito placebo passar, o Remo como modalidade que nós conhecemos e amamos já não existe, e a perda será irreversível. Teremos um sucedâneo do Remo que não é Remo, tal como o descafeinado é um sucedâneo do café mas não é café. Nessa altura, o Remo perde estatuto na Sociedade, perde alcance formativo, perde história, fica mais frágil do que já é.<br />
Em Caminha ou em Lisboa, para citar regiões de forte tradição mas com diferentes (e salutares) interpretações do Remo, os clubes ficarão subitamente a falar sozinhos&#8230;<br />
Este, é o único ponto em que eu não vou dizer tudo o que penso. Deixo, apenas este alerta. O resto,  a fundamentação que tenho,  fica reservada para a altura conveniente. Deus queira que não seja precisa. Mas se for, se os &#8220;sinos tocarem a rebate&#8221;, disponho-me a ajudar</p>
<p><strong>LS: O que espera destas eleições e qual o futuro que gostaria de ver no remo em Portugal?</strong></p>
<p><strong>LM: </strong>Qualquer resultado que deixe aos grandes e históricos clubes de Remo, aos Árbitros ou até aos melhores remadores um sabor amargo, será fatal. Aumentará o divisionismo,   e a ingovernabilidade. Se isto se verificar, ocorrerá um fenómeno  bem tipificado nestas circunstâncias (quase igual à teoria de Darwin) para a evolução e sobrevivência das espécies, ou seja, a adaptação, e a &#8221; fuga para a frente&#8221;. Ora, a fuga para a frente, será o Remo deixar de ser Remo</p>
<p><strong>LS: Estão na corrida para a Direcção da FPR duas listas com programas distintos.<br />
Qual o seu comentário a cada uma delas?<br />
LM:</strong> Quanto às listas em presença nas eleições, não é preciso falar muito. Uma não é nada, outra é a esperança.<br />
A esperança, está na lista de João Oliveira. É aqui que o Remo está e se pode rever . Como está a capacidade de gerar sinergias, de elevar o patamar dos interlocutores, de ter uma figura prestigiada ,  representativa e com prestígio na sociedade  portuguesa.</p>
<p><strong>LS: Como vê o panorama desportivo nacional (não só o remo), temos grandes valores e promessas em varias modalidades que nas alturas cruciais fraquejam, o que esta a falhar? </strong></p>
<p><strong>LM:</strong> O fracasso de certos atletas talentosos é um fenómeno universal, que sempre aconteceu e acontecerá, em todo o lado .Portugal, nesse exacto contexto, não foge à regra. O que se verifica,é que  esse contexto competitivo, tem a revesti-lo ,um contexto social e cultural , que no nosso País é muito pobre no que toca a mentalidades, e ao grau de exigência relativamente<br />
à generalidade dos dirigentes desportivos. Depois, e por contraste, em passado recente apareceu muito dinheiro. Ora, esta contradição entre a pobreza de mentalidades e de culturas e a súbita abundancia de dinheiro, criou um clima propício aquilo a que eu chamo a&#8221; invasão dos não desportistas&#8221;.Um novo -riquismo no dirigismo desportivo, que o torna arrogante, que não sabe falar com os atletas, que confunde e não destingue crescimento de desenvolvimento, e que por tudo isto deixa muitos atletas desamparados, levando-os ao insucesso.<br />
No desporto em Portugal ,cada vez mais o dirigismo desportivo está configurado num triângulo , onde em cada um dos lados encontramos. ou empresários que querem prosperar, ou aventureiros sem passado que se querem promover socialmente , ou gerontes que não largam os lugares e fazem dos mesmos um resistente reduto na sua 3ª idade .</p>
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