Thomas Poulsen

 

Como atleta, Thomas ganhou tudo, foi Campeão Olímpico em 1996 e do Mundo entre 1997 e 2001.

Paulo Lorenço : Como te defines como treinador?– Como bastante dedicado, um bom amigo e sempre procurando novas maneiras de treinar os remadores.

Thomas Poulsen

PL: Quando eras remador idealizavas como é que deve ser um treinador e agora tentas ser esse treinador? – Quando remava falava muito com o meu treinador Bent Jensen, como estávamos a remar e como poderíamos fazer melhor. Disse-lhe que gostaria de me tornar num remador quando a minha carreira de remador chegasse ao fim e que tinha muitas ideias que gostaria de tentar. Ele apoiou-me e ajudou-me a conseguir o lugar de treinador nacional da Dinamarca.

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A tua maneira de trabalhar foca-se mais no trabalho da pá ou na posição/controlo do corpo? – Começo sempre com o trabalho do corpo e quando estou satisfeito dedico-me ao trabalho da pá.

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As diferenças fisiológicas entre ligeiros e pesados afecta a maneira como constróis o plano de treinos? – Não, na Dinamarca os ligeiros e pesados fazem praticamente o mesmo treino.

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O planeamento da carga de treino é efectuado com o cruzamento de informação dos testes, VO2 MAX e acido láctico. Trabalhas com ciclos de cargas fortes e leves. Como planeias o treino?– Tenho uma semana de testes (4 dias) que inclui longa-distancia, curta-distância e um teste de 2 km. Dá-me uma ideia da condição física em que os atletas se encontram e quando treino eles farão em cargas leves. Mas o treino é sobretudo com cargas leves. Quando estou a fazer o plano de treinos, trabalho em conjunto com o meu ex-colega de 8+ ligeiro, Bo Vestergaard. Usamos um programa de computador que o Bo programou e trabalho nestes anos.

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Incluís outros desportos no treino com o objectivo de melhorar a capacidade física? – Ginástica, mas apenas para evitar lesões.

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Como organizas o trabalho de ginásio durante a época: é o formato tipico baseado na forma física geral seguido de força, potencia e resistência? – Eu não acredito no trabalho de ginásio. Penso que treinar na água é o melhor. Muita força e potência não servem de nada se não conseguires por o barco a andar.

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Quão importante é a maneira como explicas os pontos técnicos: usas diferentes maneiras ou ferramentas dependendo do atleta, ou usas a tua maneira independentemente do remador?- dedico muito tempo a treinar técnica, penso que é muito importante. Tento explicá-la em diferentes maneiras, para que tenha a certeza que os remadores entendem o que digo.

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Exercícios dentro do barco: Dinâmicos ou estáticos? – Dinâmicos

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Qual a tua opinião acerca da época ser baseada em 3 Taças do Mundo, 1 Campeonato do Mundo e Jogos Olímpicos, de 4 em 4 anos claro? – Gostava de mais uma Taça do Mundo, talvez mais cedo na época ou uma depois do Campeonato do Mundo. Penso que a época é curta. E um Campeonato do Mundo por ano é perfeito, é bom para o desporto.

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Perto das competições como geres o trabalho na água e no ergometro, ou só trabalhas apenas na água?- Tentamos treinar o máximo na água possível, apenas o tempo (clima) nos força a treinar no ergometro.

TP

Alguma dica de como desenvolver um remador de júnior a sénior de elite?- É uma questão muito difícil, depende em que país vives. Há uma grande diferença entre os Estados Unidos e a Dinamarca. Eu não posso dizer o que eles devem fazer nos EUA e eles não podem dizer o que fazer na Dinamarca.

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Algum critério para identificação de talentos? – O remador precisa de ter musica no corpo (ritmo), o talento do poder físico não é tão importante.

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Quantos anos são precisos para criar um 2x Ligeiro vencedor?– Se tiveres dois remadores talentosos, 1 ano. De outro modo, dois ou três anos e tudo depende da idade do remador. Penso que nos 20’s é o ideal.

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Comprimento ou Cadência? – Comprimento

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Afinas o barco para o atleta ou trabalhas o atleta para o barco? -Afino o barco para que sirva cada remador, no inicio da época perco muito tempo a afinar o barco.

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Como mudas a maneira de um remador de elite deve remar, partindo do principio que ele tem a sua maneira de remar e faz o mesmo movimento inconscientemente?– Desfaço esse conceito e começo tudo de novo, por essa razão isso pode levar bastante

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Os ergometros flutuam? – Odeio o ergometro. Mas na Dinamarca treinamos nele todo o Inverno porque temos gelo na água.

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No ergometro, estas preocupado apenas com a parte física ou trabalhas pensando também na técnica? – Principalmente físico e um pouco de técnica. Muitos remadores têm uma técnica diferente no ergometro.

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Um pais deve ter um modelo técnico?- Sim, torna tudo mais fácil para o treinador.

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Como deve ser a selecção para a equipa nacional?- Depende, outra vez, do país. No nosso país temos apenas cerca de 50 remadores de onde escolher. Por isso temos de trabalhar bem e por muitos anos com cada remador.

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Ao nível internacional, pode um ligeiro vencer na água um pesado? – Sim, eu próprio o fiz algumas vezes. No 4- Lig o melhor tempo do mundo foi mais rápido que o pesado durante quase 3 anos no período de 1999 a 2002.

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O barco mais competitivo, porque?- O 2x Ligeiro, devido ao elevado numero de inscrições no campeonato do mudo e taças do mundo.

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Com vês o ano antes dos Jogos?– Muito interessante, porque todos tentam a qualificação Olímpica. Por vezes é mais dificil do que o ano Olímpico.

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Neste momento só tens um barco definido, o 2x ligeiro, este ano vai ser muito importante para tentar formar outros barcos, como o 4- ligeiro, que conheces muito bem. Mas para formar uma tripulação num ano não é suficiente, se não tiveres pelo menos 50% da equipa com remadores com muita experiência, o Herbert e o Ebessen vão voltar? – Ebbesen, Mølvig, e Helleberg irão regressar. Por isso a China que esteja atenta à Dinamarca

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A vitória do 4- Ligeiro chinês foi uma surpresa para ti? – Não.

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Que 2x Ligeiros serão a linha da frente para ganhar os Jogos, tirando a Dinamarca? – Itália, França, Hungria, Alemanha e Grã-Bretanha.

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Qual o segredo do sucesso Dinamarquês na categoria de Ligeiros?– É segredo.
Qual a tua opinião de Avis?– Penso que, no Inverno, é o melhor lugar para treinar na Europa.

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Entrevista realizada com a colaboração de Pedro Figueira.

Fotos: Avizaqcua

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